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terça-feira, 5 de abril de 2016

Chefe Manitoba

Um Cacique que tentou preservar sua raça.

A palavra Manitoba vem das palavras algonquinas "manito" e "waba" que significam, respectivamente: Grande Espírito e estreito. Os nativos americanos que viviam na região do Lago Winnipeg, acreditavam que os sons vindos do vale estreito próximo ao Lago, eram emitidos por "Grandes Espíritos" antigos. Mas, atualmente, sabem-se que são ecos.
Toda a região de Manitoba é abundante em rios e lagos. É uma das dez províncias do Canadá, coberta por enormes planícies com solo próprio para agricultura. A região também possui muitas áreas florestais e depósitos de cobre, zinco e níquel.
Durante o século XIX, Ingleses e Franceses disputaram a posse de terras do Canadá. Manitoba fez parte inicialmente de um gigantesco território conhecido como "Terra de Rupert", administrada pela Companhia Inglesa da Baía de Hudson. Mas, algumas regiões de Manitoba também foram colonizadas pelos Franceses.
Em 15 de maio de 1870, após a Rebelião de Red River (Rio Vermelho), o governo Canadense elevou a região sul do atual Manitoba à categoria de Província - isso equivalia a apenas 5,6% de seu tamanho atual. Sua extensão territorial cresceu gradualmente até 1912.
Foi nesse cenário que o Cacique Manitoba viu sua terras e tribos serem dizimadas e aos poucos colonizadas pelo homem estrangeiro. Ele viveu 112 anos sobre as Terras Canadenses e pode ver muita coisa com seus próprios olhos.
O Rio Vermelho tornou-se Rio de Sangue muitas vezes, pelas mortes que assistiu e pelos corpos que recebeu em seu leito. As terras de Manitoba presenciaram muitas transformações. Mesmo assim, o Cacique tentou manter a cultura e a tradição de seu povo intactos após a colonização.
Foi difícil... Nessa época, ele sentiu-se "pequeno", como o estreito do Lago Winnipeg; porém, em outros momentos, sentia a força do "Grande Espírito" a lhe sustentar. E assim, aguentou o quanto pode para preservar seu povo e sua raça.
Antes de exalar o último suspiro fez um pedido a seu neto Kanna Kanna (Dois Caminhos): "Meu filho, não deixe morrer nossa tradição ou nossos costumes. Preserve-os a todo custo, para que um dia o homem branco possa conhecer a sua origem..."
Hoje em dia, Ele trabalha como Mensageiro Espiritual na Falange do Povo do Oriente, sob o comando de Xangô. Ele exerce maior domínio quando atua na Linha de Oxalá e na Linha das Águas, ao harmonizar e fluidificar o ambiente.

Xamã Vermelho - Red Shaman - Pupa Shaman

"Pupa" realiza seu trabalho nas Falanges Orientais de Cura em toda a Umbanda Sagrada, sob as ordens das Linhas de Iansã e Xangô. Ele nasceu nas Planícies Geladas, que ficam próximo às Montanhas Rochosas ao dos Estados Unidos, entre os estados de Montana e Wyoming. Ele pertencia ao Povo Cree, da Tribo Assiniboine (Ojíbua).
Ele conta que, desde a última grande Era Glacial, muitos povos começaram a habitar as Montanhas Rochosas, como os: apache, arapaho, crow, cheyenne, sioux, ute, kutenai, entre outros. Eles viviam nas planícies durante as estações do outono e inverno, onde caçavam bisões (búfalos-americanos). E nas estações mais quentes (primavera e verão), viviam entre as Montanhas onde pescavam peixes, caçavam alces e colhiam raízes e frutos.
Por causa da Guerra do Ouro, as histórias dos estados de Oregon, de Wyoming, de Montana e de Idaho se confundem. A palavra "Wyoming" na língua indígena significa Terra de Vastas Planícies e "Montana" deriva de Montanha mesmo. Oregon deriva de uma frase: "Caminho do Ouro" - para a qual não há tradução literal: ore go on (minério de continuar). Idaho possui um cognome: Gem State - "Estado da Jóia.
Mas, voltando a história de Pupa... Ele viveu entre os séculos XVII e XVIII, quando o homem branco tentava conquistar o território norte-americano. Os nativos das Montanhas Rochosas ainda estavam protegidos pela região desconhecida e pouco desbravada. Mas, quando os brancos começaram a chegar, pareciam "possuídos" por espíritos maus, pois seu único intuito era matar e conquistar.
Por conta de tanto ódio e sede de conquista por parte dos europeus, os nativos escondiam-se cada vez mais entre as montanhas e o frio. Pupa havia sido preparado desde adolescente para sua tarefa de líder religioso da tribo, então sabia realizar todas as curas necessárias para seu povo. Todos o respeitavam por seus ensinamentos. Ele aconselhou sua tribo a manter-se escondida nas montanhas e evitar o confronto com o branco. Disse que o homem branco já trazia o ódio dentro de si.
Quando Pupa estava idoso e preparava-se para deixar o mundo dos vivos, chamou seu sucessor e disse-lhe: "Prepara-te para a grande mudança da terra. O homem branco a tudo transformará e nossa nação nunca mais será a mesma. Preserva nossa gente e nossos costumes, para que o Grande Espírito mantenha nossos descendentes sobre essa terra."

Uma Cabocla da Lua e uma Cabocla do Sol

As preferidas de M'Boi...

A Cabocla da Lua pode atuar nas 4 fases da lua. Cada fase da lua indica a influência de uma Mãe:  Iemanjá, Yansã, Nanã e Oxum. Assim, ela pode se apresentar como Cabocla da Lua Nova, Cabocla da Lua Crescente, Cabocla da Lua Minguante e Cabocla da Lua Cheia. A Cabocla da Lua que contaremos a história a seguir, não pertence a essa Seara. Ela nos procurou e pediu para relatarmos uma de suas existências.
O Umbandista acredita em Deus (Zambi), em Jesus (Oxalá) e nos demais Santos, Profetas e Anjos. Ele também acredita na Reencarnação e por conta disso sabe que todos os espíritos possuem mais de uma existência. Portanto, quando uma Entidade  relata a história de uma vida, não significa que tenha sido sua "única" vida.
A Cabocla da Lua que nos procurou, contou que em uma de suas existências como índia, não nasceu sozinha. Sua mãe teve gêmeos e junto com ela nasceu uma irmã. Ela nasceu durante a madrugada, enquanto a luz da lua cheia clareava as matas. Sua irmã nasceu ao clarear do dia, quando o sol raiava e sua luz cobria a aldeia. Por isso, sua mãe lhe chamou de Jaciíra, que significa "Filha da Lua" e sua irmã recebeu o nome de Guaraciíra, "Filha do Sol".
As duas irmãs eram muito apegadas, mas muito diferentes também. Enquanto Jaciíra não temia nenhum perigo, Guaraciíra era mais cautelosa com as coisas. Mesmo assim, as duas dividiam todas as tarefas e brincadeiras e se divertiam muito. Assim, elas cresceram e tornaram-se duas lindas moças, cada uma com sua beleza e com seu talento. Elas eram queridas por toda a tribo e disputadas pelos guerreiros que queriam casar.
Mas, um dia, M'Boi exigiu uma oferta, pois o Homem Branco estava preparado para atacar a aldeia e a defesa estava em baixa... Ele exigiu as duas indiazinhas. A Aldeia ficou em polvorosa e não sabia o que fazer; eles não podiam descumprir uma ordem tão sagrada. Então, todos se reuniram: o Cacique, o Pajé e todos os índios mais velhos. Entraram em um consenso que Guaraciíra e Jaciíra deveriam cumprir seu papel para salvar a tribo.
Alguns índios não aceitaram a imposição: os pais das irmãs e os índios apaixonados por elas...  As duas irmãs não relutaram e aceitaram seu destino. E, no dia marcado, as duas entraram no barco que desceria o rio, para cumprir a tarefa que lhes foi reservada. Ao chegar ao local onde M'Boi morava elas esperaram...
Enquanto isso, na aldeia, houve uma revolta por conta de alguns índios e isso enfraqueceu a tribo. Durante a madrugada aconteceu o ataque dos brancos, que encontraram poucos guerreiros e nenhuma resistência na luta. Mas, durante a batalha, ocorreu um fato que ninguém ousaria contar... O próprio M'Boi baixou na Aldeia e atacou os homens brancos! Aqueles que sobreviveram fugiram assustados. Então, ao final da batalha M'Boi retirou-se, pois os índios haviam cumprido sua promessa.
As duas irmãs ficaram no barco três noite e três dias esperando e esperando... Elas acharam que M'Boi havia rejeitado a oferta por causa da demora da tribo. Quando porém estavam para voltar para a Aldeia, M'boi apareceu, envolveu-as e arrebatou-as e levou-as  sobre as águas. As duas irmãs se abraçaram e aguardaram... Quando abriram os olhos estavam no meio da aldeia. M'Boi olhou-as e retirou-se, deixando-as ali entre seu povo.
No dia seguinte, a história das duas índias que foram abençoadas por M'Boi correu por todas as tribos! A vitória da batalha graças a intervenção do Grande M'Boi foi celebrada por todos. Jaciíra e Guaraciíra casaram no mesmo dia. Elas tiveram muitos filhos, que tiveram outros filhos que cresceram e construíram uma Nação: os Jês. Durante os anos seguintes, elas contaram para os filhos e para os netos a aventura que viveram.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A Concha de Caboclo - Um Oráculo Brasileiro






Conhecemos o jogo de bú­zios de ori­gem africana, popu­la­rizado no Brasil pe­los cultos de Orixá.

Será que existe um sis­tema tipicamente brasileiro, que os irmãos e irmãs de Umbanda podem utili­zar?

Sim.

A Concha de Caboclo é uma for­ma tradicional de geomancia, utiliza­da por alguns mestres adivinhos da Umbanda e da Jurema (ou Catimbó) do Norte e Nordeste.

O antigo Catimbó não possuía um sistema adivinhatório, mas alguns sa­cer­dotes e babalawos que foram inicia­dos no culto, sabiamente desenvol­ve­ram o sistema da “Concha de Caboclo” sob a direção das entidades espirituais da mata.

Nasceu então um sistema de doze búzios, onde respondem doze entidades de origem indígena (Caboclos), de modo semelhante ao merindilogum yorubano onde falam os Orixás.

O Oráculo possui treze significados (12 + 01), segundo as quedas das conchas e suas respectivas oferendas



LEITURA BÁSICA DAS CONCHAS E OFERENDAS RECOMENDADAS

      (As leituras aqui apresentadas são apenas informativas e não mostram a totalidade deste rico sistema).

01 – Uma concha aberta:
(ou seja, a concha está com a parte serrilhada pa­ra cima ou boca do búzio): fala o Ca­boclo Gira-Mundo.
Uma situação de perigo avizinha-se. Evitar pessoas falsas e amigos fingidos. Possibilidade de trabalhos de feitiço feitos ao consulente.
Oferenda: passar um ovo pelo corpo e depois untá-lo com mel de abelha, deixando-o na mata. Quando fizer a oferenda, acender duas velas brancas.

02 – Duas conchas abertas:
Fala o Caboclo Pena Branca.
Muita proteção e desembaraço das situações amarradas no passado. Vitó­ria nos negócios ou melhora nas situa­ções que envolvem a saúde.
Oferenda: flores brancas e mel de abelha devem ser entregues na mata.

03 – Três conchas abertas:
Fala o Caboclo Sultão da Matas.
Possibilidade de problemas com a justiça e perseguições.
Oferenda: um charuto, uma gar­ra­fa de mel e outra de vinho. Entrar na mata e chamar este caboclo, ofertando os elementos acima.

04 – Quatro conchas abertas:
Fala a Cabocla Jupira.
Sendo mulher a consulente: requer cuidados e atenção com os intestinos ou problemas digestivos. Sendo ho­mem, tomar cuidado com bebidas alcoó­licas e problemas estomacais. Atenção na alimentação.
Oferenda: fazer um doce de bana­na com mel, colocar num alguidar de barro, enfeitar com penas e despachar ao lado de um rio dentro da mata. Junto ao alguidar, acender sete velas verdes.

05 – Cinco conchas abertas:
Fala o Caboclo Ubiratan.
Cuidar da saúde com mais regula­ri­da­de. Atenção principalmente com doen­ças do sangue e problemas de pele.
Oferenda: tomar um banho com as seguintes ervas: gitirana, melão-de-são-caetano e junça. Cozinhar tudo e banhar-se três dias seguidos. No último dia apanhar o bagaço das ervas e despachar na mata, junto com uma garrafa de mel.

06 – Seis conchas abertas:
Fala o Caboclo Araribóia.
Prestar atenção, po­is o consulente pode estar sendo enfeiti­ça­do. Incons­tância em em­pregos e atividades remu­neradas, negó­cios e relacionamen­tos. O consulente fez mui­tos inimigos. Vin­gan­ça em andamento.
Oferenda: nes­te caso recomen­da-se a intervenção dos senhores Mes­tres e Mes­tras da Jurema, que aconse­lharão a melhor medicina espiritual.

07 – Sete conchas abertas:
Fala a Cabocla Jurema.
O consulente está sendo vítima de falsidades e deve manter-se em silêncio. Se souber algum segredo, deve calar-se totalmente. Uma surpresa, não agra­dável, pode ser esperada.
Oferenda: acender três velas bran­cas dentro de um prato branco, ao lado de um copo com água. Em outro prato, colocar flores brancas com mel e oferecer a essa cabocla na mata ou em casa.

08 – Oito conchas abertas:
Fala o Índio Jaceguai.
O consulente está sendo vítima de feitiço. Ter cuidado, pois pode cair em perigo.
Oferenda: Três ovos, mel de abelha, uma vela branca, flores brancas e uma garrafa de vinho tinto. Na mata, passar os ovos no corpo e deixar de­bai­xo de uma grande árvore. Num prato branco, deixar os ou­tros elementos, junto com a garrafa de vinho aberta.

09 – Nove conchas abertas:
Fala a Cabocla Uitacira.
Problemas senti­mentais não resolvi­dos e desejo de um relacionamento feliz e harmonioso.
Oferenda: oferecer flores brancas e uma garrafa de mel de abelha a essa cabocla. Fazer isto numa mata e rezar para obter felicidade.

10 – Dez conchas abertas:
Fala a Cabocla Tupiara.
Aviso de “flechada de índio” e es­pírito perturbando o consulente. A “fle­chada” é o mais terrível feitiço conhecido pelos pajés. Esta forma de magia é pouco conhecida nas grandes cidades, porém faz grandes estragos espirituais e materiais.
Oferenda: recomenda-se o trata­mento urgente com Mestres e Mestras da Jurema numa sessão especial.

11 – Onze conchas abertas:
Fala o Caboclo Uitatiara.
Se esta caída aparecer três vezes, é aviso que o problema não deve ser resolvido com o oráculo. Consultar os se­nho­res Mestres da Jurema numa sessão para uma limpeza espiritual.

12 – Doze conchas abertas:
Fala o Caboclo Grande Pajé.
Muitos problemas circundam a vida do consulente. Tomar cuidado com situações envolvendo a justiça, imóveis e comércio em geral.
Oferenda: tomar banho de limpeza com guiné, espada-de-são-jorge, arruda e alecrim.

Caindo 12 conchas fechadas:
O jogo deve ser suspenso e somente ser refeito três dias depois. Neste período, o consulente deve tomar um banho de limpeza com ervas.

Para uma pessoa trabalhar com o oráculo das Conchas de Caboclo, ele deve ser iniciada por um mestre do jogo, também chamado de “olhador”.

A iniciação possui vários ritos especiais, como a preparação de cada concha e as oferendas para os Caboclos e Caboclas que falam no oráculo.

O futuro iniciado também deve encontrar seu “Caboclo de Jogo”, que atua como uma espécie de mensageiro, abrindo as portas astrais do sistema.

Tudo isto é passado oralmente de mestre a discípulo, como fazem ainda nossos Pajés.

Quem Foi O Caboclo das 7 Encruzilhadas?

.. E no entardecer :
E no entardecer do dia 21 de setembro de 1761, na Praça do Rossio, no centro de Lisboa, um santo foi queimado na fogueira dos hereges. Gabriel Malagrida entregou a alma a Deus e o corpo aos carrascos. Tinha 72 anos, 30 deles passados de pés descalços peregrinando pelo Norte e Nordeste brasileiros. Ergueu igrejas e mosteiros, protegeu índios e prostitutas, caminhou mais de dez mil quilômetros entre o Pará e a Bahia. Ganhou fama de taumaturgo, milagreiro. Por ordem e trama do primeiro-ministro Marquês de Pombal, Malagrida terminou acusado de blasfêmia e heresia. Ouviu a sentença de morte no alto de uma carroça, com um barrete de palhaço na cabeça, mãos amarradas para trás e batina pintada com figuras demoníacas. Quando Pombal, ao lado do rei d. José, ordenou a execução, o padre beijou as escadas do cadafalso, virou para o povo, jurou inocência e perdoou seus acusadores. Abaixou a cabeça, ajudou ao próprio algoz a colocar a corda em seu pescoço. Na primeira puxada, o laço se rompeu e a multidão gritou assombrada. A tragédia estava adiada por alguns minutos. Homens e mulheres começaram a prece dos agonizantes, mas não terminaram a oração. Foram impedidos pelos quatro mil soldados de prontidão. ‘‘Senhor, nas vossas mãos entrego minha alma’’. Derradeiras palavras. Em poucos segundos, o padre estava enforcado pela Santa Inquisição. O carrasco acendeu a fogueira, onde o corpo queimaria toda a madrugada, velado pelos milhares de fiéis. As cinzas foram jogadas nas águas do rio Tejo. Quando o dia amanheceu, os católicos de Lisboa espalharam uma mesma notícia: o fogo não queimara o coração do mártir. A tragédia de um peregrino Padre Severino ensina aos fiéis da Paraíba os feitos de Malagrida.

Gabriel Malagrida nasceu padre:
Ainda pequeno, na cidade de Menaggio, no Norte da Itália, aprendeu com o pai Giácomo, o dom da caridade. O patriarca era médico de renome, consultado até por príncipes, mas dedicava boa parte do trabalho ao cuidado de doentes pobres que visitava nas distantes montanhas. Gabriel ia junto. Adorava estudar religião e aproveitava as férias para ensinar catecismo aos irmãos e colegas da rua. Sua brincadeira predileta era montar altar no quintal. A mãe, Ângela, chamava o filho de ‘‘o anjo da casa’’. Era morada cheia de religiosidade. Na parte nobre da casa, havia o que os Malagridas apelidaram de o ‘‘quarto do santo‘‘ por conta do teto coberto de pinturas de Nossa Senhora. O sonho do casal era ver os filhos formados padre e rezando missa ali. O projeto deu certo. Dos onze herdeiros, três viraram sacerdotes. Aos 12 anos, o pequeno Gabriel foi estudar no colégio dos padres Somascos, na cidade de Como. Não era um aluno como os outros; tinha hábitos estranhos. Mordia os dedos até sangrar e quando lhe perguntavam a razão daquilo respondia: ‘‘é para a salvação dos infiéis’’. Nascia assim o costume das penitências físicas que o acompanhou até o fim da vida. Em 1713, no seminário, em Gênova, onde se formou jesuíta com 24 anos chegava a fazer jejuns três vezes por semana. Dizia que era para refrear a natureza e guerrear contra as tréguas do corpo. Era comum ele se açoitar publicamente. Uma vez, em Salvador, na Bahia, Malagrida rezava o sermão na Matriz quando lhe apontaram um homem pecador, cheio de vícios e de ‘‘ignóbeis costumes’’. Como não conseguia, com palavras, converter o cidadão, Malagrida, então, bateu-se com o chicote até o sangue espirrar de suas costas. Ao assistir à dolorida cena, o pecador não se conteve: em lágrimas, ajoelhou-se nos pés do padre, implorando com gemidos o perdão de seus crimes.

A Seguir... você vai conhecer um pouco da biográfia do peregrino que construiu abrigos para prostitutas, fez procissões imensas, criou a Ordem do Sagrado Coração de Jesus e denunciou padres e governadores corruptos. Para conhecer vestígios deixados pelo religioso no Brasil, A nossa equipe percorreu parte das trilhas de Malagrida no Piauí, Maranhão, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Junto com o ‘‘Aos povos de Itália não cansam meios de chegar à salvação; além-mar, pelo contrário, inúmeras nações jazem ainda nas trevas da idolatria: vamos acudir a essas almas desamparadas’’. Com esses argumentos, Gabriel Malagrida convenceu o Bispo Geral dos Jesuítas a virar missionário nas Américas. Trocava os estudos avançados de teologia e literatura pela catequese dos índios. Saiu de Lisboa e desembarcou em São Luís do Maranhão no final do ano de 1721, mas demorou dois anos até ser mandado para a primeira missão com os índios. Seus superiores preferiam o erudito religioso nas salas de aula dos seminários de jesuítas e achavam que Malagrida não estava preparado para o convívio com os arredios nativos. Depois de muitas súplicas, o padre conseguiu realizar o antigo sonho. Foi missionário indígena entre 1723 e 1729. Percorria as matas a pé, vestido com a batina preta típica dos jesuítas. Não era a melhor maneira de atravessar o interior maranhense. ‘‘Quem quer andar por essas terras tem que se proteger do mato com roupa de couro e andar sempre a cavalo ou num burro’’, ensina José Assunção e Silva, o Zé Doca, boiadeiro na região de Caxias, antiga Aldeias Altas. Nesse lugar, Malagrida passou em 1726 para catequizar os Guanarés, etnia desaparecida do Maranhão. No Século XVIII, esses índios eram numerosos e arredios ao contato com os brancos. Já haviam sofrido com os portugueses quando Malagrida iniciou o trabalho de catequese. Penou até conquistar a confiança dos Guanarés. Chegaram a decidir em assembléia que matariam o padre. Só conseguiu escapar porque na hora da excução, uma índia velha conteve o braço do nativo. ‘‘Suspende’’, gritou a mu-lher. Explicou que da última vez em que um índio matou um padre roupeta-negra, terminou devorado por vermes. Assustados, os Guanarés liberaram o jesuíta. ‘‘Dificilmente se reconhece o tipo humano nos índios moradores desta região. Abrigam-se em cavernas como as feras e alimentam-se unicamente de caça. As vezes travam-se em pelejas e então devoram os vencidos’’, descreveu Mathias Rodrigues, um dos companheiros de apostolado de Malagrida e que escreveu relatos do tempo em que os dois estiveram no Brasil. O manuscrito de Rodrigues está hoje na biblioteca dos padres boulandistas, em Bruxelas, na Bélgica, mas o professor Vitor Leonardi conseguiu cópia microfilmada da preciosidade. ‘‘É o documento mais importante sobre Malagrida’’, resume Vitor que nos próximos meses irá editar livro com a íntegra do texto. Pelas linhas escritas por Mathias Rodrigues, Malagrida ainda considerava os índios bárbaros selvagens, mas não aceitava sua escravidão. Durante os seis anos em que conviveu com tribos do Pará e do Maranhão, o jesuíta defendeu a tese de que as aldeias deveriam ficar longe do contato com os portugueses. Temia pela saúde moral e física dos nativos. Ou seja, combatia a tradição dos colonizadores que pegavam índios para trabalhar na lavoura de cana.

Em 1729, Malagrida foi retirado da missão indígena e levado para São Luís.

Primeiro Milagre...
A vida na capital não sossegou o padre. Em São Luís, iniciou nova etapa de sua jornada: a de missionário popular. Ao invés de índios, cuidava agora dos brancos, moradores da periferia. Dava aula de teologia durante a semana e aos sábados partia para os povoados vizinhos de São Luís. Era livro grosso com as rezas cotidianas que, por vezes, servia de travesseiro quando o religioso adormecia no mato. Para se proteger da floresta fechada, usava um cajado, até bem pouco tempo guardado na Itália como relíquia e apelidado de ‘‘o bordão do peregrino’’ ‘‘Malagrida era pregador carismático’’, explica Miguel Martins Filho, 39 anos, padre, professor de literatura e diretor do Instituto Gabriel Malagrida, em João Pessoa. É ali que se formam todos os jesuítas brasileiros. O que Miguel chama de carisma aparece no jeito de Malagrida atrair os ouvintes. Nos dias santos em São Luís juntava os fiéis em frente a igreja e com um estadandarte nas mãos, saíam todos em procissão cantada pelas ruas da cidade. Paravam nas praças e o padre reunia o povo em volta dele. Ali, dava aula de catecismo, representava teatralmente as principais passagens bíblicas e depois interrogava a platéia sobre o assunto. Foi numa dessas pregações interativas em São Luís que Malagrida fez o que os livros tratam como seu primeiro milagre. Falava aos fiéis sobre a importância da reconciliação entre inimigos quando um dos ouvintes contou que cometera injúria mortal contra um de seus parentes. Na frente do antigo desafeto, contou que estava disposto a pedir perdão, mas o homem não quis fazer as pazes. Malagrida, indignado interferiu. ‘‘Meu irmão, não quereis perdoar ao vosso próximo para que o Senhor vos perdoe?’’. Repetiu a pergunta várias vezes, mas como o indivíduo insistia na recusa, Malagrida gritou atordoado: ‘‘Pecador, recusas a escutar o teu Deus que te convida a perdoar, não tardará que prestes conta a teu juiz da tua dureza, e sofrerás então o castigo merecido’’. Pronto, em menos de 24 horas o infeliz morreu com tiro de mão desconhecida. O povo passou a tratar Malagrida como ‘‘o profeta’’. Carregou esta fama para sua grande viagem missionária, iniciada em julho de 1735 do Maranhão até a Bahia. Primeira longa parada: Piracuruca, no norte do Piauí. ‘‘Servia de igreja aí uma vil casa de farinha com quatro paredes mal pintados por cima, cheia de morcegos. Eu mesmo dei a idéia de construir grandiosa igreja. Todos ofereceram suas esmolas’’, conta Malagrida numa carta mandada ao Bisbo do Algarve, em Portugal. Passados 262 anos, o templo de Piracuruca está de pé. Seu padre, José da Silva Ribeiro, 37 anos, vive pedindo esmolas aos moradores da cidade. Para Malagrida, o Brasil parecia uma Babilônia de pecados. Reclamava dos casamentos fora da Igreja, se horrorizava com a luxúria dos padres e se impressionava com o número de prostitutas. Nos oito dias em que passava em cada cidade, o jesuíta pregava contra os amancebados, chegava a praguejá-los. Em fevereiro de 1744, fazia missão no povoado de Várzea Nova, no interior da Paraíba, quando descobriu homem e mulher que viviam juntos há anos sem oficializar a união. Malagrida foi até a casa dos dois. Tentou convencê-los a dar um ‘‘jeito cristão’’ à história. A mulher concordou, mas o homem achou bobagem aquele falatório do padre. Malagrida renovou seus pedidos, fez pregações públicas sobre o caso, até que num dos sermões avisou que se o cidadão não mudasse de idéia se perderia para sempre. Em 24 horas, o homem morreu com uma terrível dor de cabeça. Neste mesmo povoado de Várzea Nova, a fama milagreira de Malagrida resistiu ao tempo. ‘‘Desde menina, ouço os antigos contarem que o padre Malagrida encostou a mão numa criança que morria de febre e ela ficou logo boa’’, diz Maria Salete da Silva, 58 anos, nascida na região. Ali, não há mais as curas providenciais do padre, porém quem adoece é atendido no posto de saúde de nome Gabriel Malagrida. Na frente, há uma enorme estátua de cimento do jesuíta.

Vigários do Prazer...
Durante suas expedições, Malagrida cruzou com muitos companheiros de batina fora da linha. Alguns chegavam a cobrar para rezar missa, outros conheciam os prazeres da carne. Tinham mulheres e filhos, o que para Malagrida era um escândalo sem precedentes. ‘‘Esbarrei num vigário que tinha três mancebas patentes e vinte filhos’’, denunciava o missionário em carta aos superiores. Se o barbudo Malagrida era exigente com os fiéis e religiosos, pior ainda era sua auto-cobrança. Tamanha austeridade impressionava até os poucos padres corretos das vilas por onde passava. ‘‘Depois de um sono brevíssimo, o santo padre começava a meditação. Recitadas as horas canônicas, dirigia-se ao confessional e daí por volta da hora décima da manhã, subia ao tablado e explicava a doutrina cristã. Permanecia em ação de graças até a primeira hora da tarde e até mais. Voltando a casa comia, ou poucas favas ou um pouco de leite’’, relatava em carta João Brewer, padre de Ibiapaba, cidade onde Malagrida ficou entre 5 e 17 de fevereiro de 1747. O lugar, chama-se hoje Viçosa do Ceará. Lá, no altar da igreja matriz ainda existe uma imagem de Gabriel Malagrida, de quatro palmos de altura. ‘‘Ele está vestido de São Francisco de Assis porque a imagem foi mandada para reforma e o artista adorava os franciscanos’’, explica o monsenhor Francisco das Chagas Martins, pároco da igreja há 50 anos. ‘‘Tudo aqui é antigo. Nossa igreja é a mais velha do Ceará. Foi fundada em 1602’’.

Madalenas...
O maior tormento de Malagrida eram as ‘‘mulheres da vida’’. Considerava a prostituição um dos problemas mais graves da colônia. ‘‘Naquele tempo, se uma menina perdia a virgindade, caía em desgraça na sociedade e acabava entrando para a prostituição. Malagrida sonhava em fazer alguma coisa por essas mulheres’’, conta Ilário Govoni, jesuíta italiano, morador de Terezina e autor do único livro publicado no Brasil sobre Malagrida. Chama-se O Missionário Popular do Nordeste. O desafio de ‘‘endireitar’’ prostitutas perseguiu Malagrida até 1742, quando conseguiu financiamento para construir o Convento do Sagrado Coração de Jesus em Igarassu, em Pernambuco. Ali, abrigou 40 mulheres da vida, desejosas de conversão. Saíram em romaria de João Pessoa até a cidade pernambucana. ‘‘Este asilo de Madalenas arrependidas tinha âmbito regional. Às que não podiam casar, por causa de impedimentos ou delas próprias ou dos homens com quem viviam, por já serem casados, abriam-se-lhes as portas desta casa, onde ficavam ao abrigo da miséria e de recaídas’’, escreveu o historiador Serafim Leite, no livro a História Eclesiástica no Brasil. ‘‘Hoje só aceitamos donzelas. Todas nós somos donzelas’’, apressa-se em explicar Maria Medeiros de Paula, 48 anos, e atual diretora do Convento. É freira desde os 17 anos, nunca teve namorado e não gosta muito de falar do passado de pecado das fundadoras da instituição. ‘‘Hoje, só entra na Ordem do Coração de Jesus moça virgem’’. A 60 km dali, em João Pessoa, num outro endereço com placa de Malagrida, perder a virgindade é ganhar a vida. Na rua Gabriel Malagrida, no centro da capital paraibana, funciona o baixo meretrício da cidade. ‘‘Esse Malagrida era dos nossos. Nosso santo protetor’’, brinca dona Lucila Martins, 59 anos, dona de um dos bordéis da rua.

O Triste Fim...
O triste fim do missionário em janeiro de 1754 Gabriel Malagrida embarcou para Lisboa certo de que conseguiria mais recursos para suas obras no Brasil. Enganou-se, embarcou para a morte. Famoso na corte por seu carisma de pregador, Malagrida era o confessor da rainha, o que despertava ciúmes de poderosos emergentes como Sebastião José de Carvalho, o Marquês de Pombal. Quando a rainha morreu, em 1754, Pombal virou primeiro ministro de Dom Jose I e iniciou perseguição sistemática contra Malagrida. Irritou-se profundamente quando, após o terrível terremoto de Lisboa de 1755, o religioso escreveu panfletos associando a tragédia às maldades da corte. Pombal não se conteve. Conseguiu que Malagrida fosse mandado para a cidade de Setúbal. Atentado em 3 de setembro de 1758, o rei D. José sofreu atentado quando voltava de uma farra noturna. Pombal arranjou testemunhas para envolver Malagrida no caso. No dia 9 de janeiro de 1759, Malagrida foi preso por crime de lesa majestade. Ficou numa cadeia imunda, onde usava tinta de paredes para escrever dois textos religiosos: um sobre a vida de Sant’Ana e outro sobre o retorno do Anti-Cristo. Malagrida acreditava que o apocalipse aconteceria em 1999. O incansável Pombal aproveitou para denunciar Malagrida à Inquisição como herege, mas os próprios juízes do Santo Ofício admitiram que não havia razões para condenar o religioso. Pombal, então, destituiu o presidente do Tribunal e nomeou seu próprio irmão, Paulo de Carvalho. A outra questão era a guerra guaranítica, travada no Sul do Brasil. Os jesuítas se aliaram aos índios contra os portugueses que queriam ampliar as fronteiras do país. Isso tudo não culminou apenas na morte da Malagrida. Em 1759, Pombal expulsou os jesuítas dos domínios portugueses. Foi mais longe. Em 1773, conseguiu do Papa Clemente XIV, a extinção da Companhia de Jesus em todo o mundo. A Companhia só voltou a existir em 1814 e os jesuítas só retornaram ao Brasil no final do século XIX.

Caboclo Pantera Negra

Muito do que se ensina na internet através de blogs e sites não condiz com
a  realidade dos fatos... é uma pena...

Muitos tem tentado em vão ensinar sobre o Caboclo Pantera Negra e até alguns novos médiuns tem se destacado no universo Umbandista e Quimbandeiro divulgando sua manifestação em seus centros.

Os mais antigos Umbandistas da década de 70, tiveram o privilégio de conhecer esta poderosa entidade já em seus primeiros anos de manifestações e trabalhos de caridade na Gloriosa Umbanda.

Hoje em dia seus antigos médiuns já não se encontram conosco, e são poucos dos médiuns atuais que realmente trabalham com essa poderosa entidade de forma correta e sem mistificações.

Só o nome já chama a atenção, causa uma certa curiosidade nos mais aficcionados pela Umbanda ou Quimbanda em conhecer esta entidade e saber mais um pouco, muitos tem mistificado usando o nome deste poderoso Caboclo Quimbandeiro para se destacar, ou se promover no meio Umbandista e até se impor como sendo de maior axé dentro dos cultos.
Mas na verdade o Sr. Pantera Negra, ou para os mais íntimos, Sêo Pantera, escolhe a dedo seus médiuns, sendo muito rara sua manifestação através da incorporação.

Uma das particularidades deste poderoso Caboclo Quimbandeiro ( não usarei o termo Exú, mesmo girando na Quimbanda ele continua a ser um Caboclo ) é a sua capacidade de manifestar-se à qualquer hora do dia ou da noite, sendo por isso muito solicitado em casos de difícil solução, pois detém o poder de resolver até mesmo coisas que julgamos impossíveis.
Quando manifestado através da incorporação, fala com tremenda autoridade, firme ao falar, cumpre o que diz e jamais deixa um filho-de-fé sem uma solução para seus problemas.
Na Quimbanda por questões evolutivas não aceita sacrifícios de animais em suas obrigações e assentamentos, jamais se manifesta imitando o animal Pantera ou qualquer outro felino.

O Caboclo Pantera Negra é um dos espíritos oriundo da Tribo Hopi dos EUA, ostenta o nome de Pantera Negra por conta de sua coragem e determinação, força e espírito guerreiro, qualidade que só os Caboclos Quimbandeiros  possuem, alguns estudiosos afirmam que ele seja de origem Tupi, coisa realmente impossível, pois a Linha dos Caboclos Quimbandeiros tem em suas fileiras apenas espíritos pertencentes à tribos indígenas da América do Norte.

Na Quimbanda ele é responsável pela chefia da segunda e mais temida Linha de Quimbanda, a Linha dos Caboclos Quimbandeiros, ele possui atributos diferentes dos demais Caboclos, sendo muitas vezes solicitado para trabalhos de Magia Negra e demandas espirituais, tanto ele como seus subordinados, os Caboclos Quimbandeiros.
Devido à sua personalidade forte possui poderes para vencer com extrema facilidade demandas espirituais e materiais, sendo muitas vezes solicitado para os terríveis trabalhos de Alta Magia, possui o poder de curar até mesmo doenças que a medicina tradicional considera incuráveis.

Muitos filhos e filhas de fé em má situação financeira recorrem à ele em busca de auxílio para seus problemas materiais, já que possui também poder de enriquecer aos que solicitam ajuda, bem como pode a qualquer momento solucionar os casos mais difíceis e aparentemente impossíveis.
Com o objetivo de esclarecer melhor os Filhos e Filhas-de-fé, as sete linhas de Quimbanda são únicas, não existem linhas paralelas ou diferentes das sete linhas tradicionais, que são fixas e imutáveis, despreze o Quimbandeiro que teima em admitir linhas diferentes das originais.
Segue abaixo a lista das sete linhas tradicionais e seus respectivos Chefes, entre eles, o Poderoso Pantera Negra:

1ª Linha - Linha de Malei -
Chefe - Exu Rei
                  
2ª Linha - Linha dos Caboclos Quimbandeiros -
Chefe -  Pantera Negra

3ª Linha - Linha do Cemitério ou das Caveiras -
Chefe - Exu Caveira

4ª Linha - Linha Nagô -
Chefe - Gererê o Rei de Ganga

5ª Linha - Linha de Mossurubi -
Chefe - Exú Kaminaloá

6ª Linha - Linha Mista -
Chefe - Exú das Campinas

7ª Linha - Linha das Almas -
Chefe - Exú Omulu ( não confundir com Orixá Omulú )


O Caboclo Pantera Negra possui estreita relação com o Orixá Ogum, devido a sua personalidade e atributos guerreiros e está diretamente relacionado com o Caboclo Ogum Rompe Mato na Umbanda.

A Linha dos Caboclos Quimbandeiros é composta de espíritos indígenas de várias tribos da América do Norte: Sherokees, Apaches, Sioux, etc...


Os componentes da Linha dos Caboclos Quimbandeiros são:


Exú Arranca Toco
Exu Sete Poeira
Exú Pimenta
Exú Asa Negra
Exú Gira Mundo
Exú Pantera Vermelha
Exú Pedra Negra
Exú das Matas
Exú Tronqueira
Exú dos Rios
Exú Quebra Galho
Exú Treme Terra
Pombagira Guerreira

Nota importante sobre Pombagira:
Há apenas uma Pombagira em toda a Linha dos Caboclos Quimbandeiros, seu nome é PombaGira Guerreira, mas de uns tempos para cá surgiu a Pombagira Pantera Negra ou Guardiã da Pantera, mas nada tem a ver com os Caboclos Quimbandeiros.


Nos terreiros que cultuam a Umbanda ele é saudado no início de cada sessão de trabalhos e ao final dos trabalhos também, muito temido e respeitado ele sempre é solicitado para proteger e limpar o recinto levando as cargas negativas embora.
Ainda em algumas casas tradicionais se ouve o cântico ao início ou fim dos trabalhos, sempre cercado de enorme reverência e temor:


" Procure por todas bandas...
Por todas vais encontrar...
Seu nome é Pantera negra...
Vai chegar pra trabalhar."
" Já bateu a meia noite...
Vou fazer minha oração...
Vai chegar Pantera Negra...
Com toda sua legião."



Quando manifesto em uma sessão de Umbanda trabalha da mesma forma que nas giras de Quimbanda, sempre firme, ouve as súplicas de seus filhos-de-fé e sempre esta disposto para assumir o caso e dar uma solução o mais rápida possível.
Seu curiador ( bebida ) seja na Umbanda ou Quimbanda é sempre o vinho tinto, bebe marafo ( cachaça ) apenas quando está em trabalhos de demanda ou em casos extremos onde é necessário manipular energias mais pesadas em prol do progresso de seus filhos-de-fé.

Suas cores votivas são o verde e o vermelho, as mesmas cores consagradas a Ogum na Umbanda do Rio Grande do Sul, preto e vermelho podem ser acrescentadas quando é cultuado na Quimbanda.

Alguns videntes tem pregado que sua manifestação através da visão mediúnica é de uma Pantera Negra ou algum tipo de ser meio homem meio felino, um tremendo erro que deve ser desmistificado.
Bem como nos primórdios da Umbanda e da Quimbanda haviam médiuns que supostamente incorporavam o Sêo Pantera Negra e comportavam-se como animais ferozes e selvagens, muitas das vezes precisavam ser amarrados quando manifestos, um tipo de manifestação medíocre e infeliz, que serviu por anos como meio de impor o medo nas pessoas e o temor em cultuar esse poderoso Caboclo, que em momento algum imita algum felino em sua manifestação na terra.

Portanto desconsidere qualquer manifestação baseada em urros animais ou similares afirmando se tratar de um Pantera Negra, jamais este poderoso Caboclo Quimbandeiro vai se apresentar como animal seja onde for. Sua manifestação é simples e traz sempre consigo muita paz e força espiritual sem ser agressivo para impressionar os filhos de fé.
Sua manifestação através da vidência quando se apresenta é de um típico Índio Americano, devidamente paramentado para a guerra, sempre ereto e de olhar firme envolto em uma luz vermelha sem brilho.
Seus médiuns de incorporação são sempre do sexo masculino, são raros os casos de médiuns do sexo feminino, ele também jamais admite mentiras ou mistificações em seus trabalhos, além disso não usa cocares de penas em sessões de Umbanda nem paramento algum quando se manifesta para prestar a caridade, na Quimbanda quando manifesto jamais usa chapéus na cabeça, gosta sempre de olhar nos olhos de seus filhos e filhas-de-fé, sempre trabalha de pés descalços, encara com firmeza seus consulentes, mas pode sim usar capa como forma de mostrar seu caráter Quimbandeiro e como indumentária do culto.



Assentamento e firmeza:
Seu assentamento ou o assentamento de dos componentes da Linha dos Caboclos Quimbandeiros é feito com muito mironga e com fundamentos bem diferentes do que costumamos ver em várias casas que cultuam a Quimbanda.
Impossível é através de um site ensinar abertamente como ele é firmado e assentado, seus devotos ou filhos-de-fé devem procurar este conhecimento através de nossa Sociedade Ritualística de Umbanda, onde vão receber em detalhes toda orientação possível.
Lembrando que seu assentamento e firmeza não depende de sacrifícios animais, mesmo se tratando de uma firmeza dedicada apenas à Quimbanda, e em nada se assemelha à assentamentos de Exús. 



ARQUÉTIPO DOS REGIDOS POR PANTERA NEGRA:
Pessoas regidas pelo Caboclo Pantera Negra geralmente são muito joviais ( mesmo se tratando de pessoas já em idade avançada ), de raciocíno rápido, perspicazes, espertas, vorazes e muito proativas, possuem um magnetismo difícil de explicar, que atrai e fascina a todos.

Carismáticos, emotivos, se magoam com muita facilidade, são os melhores e mais fiéis amigos que uma pessoa pode ter, mas também podem se tornar o pior inimigo quando contrariadas ou traídas.

Românticos mas muitas vezes imaturos e teimosos, odeiam sentir-se presos, sendo que aqueles que vierem a tornar-se seu par devem desde os primeiros passos no relacionamento dar a eles total liberdade ou terão vários dissabores, pois a ânsia por liberdade é constante e essencial para eles, não significando promiscuidade, pois é algo que abominam.

Generosos ao extremo, mas também exigentes, adoram ser úteis, e com absoluta certeza retribuem sem pena tudo aquilo que a eles for feito, seja o bem ou o mal, pois apesar de muito humanos e bondosos na dose certa não perdoam uma ofensa.

Amam a natureza e os animais, ótimos médiuns, possuem o dom da clarividência e os sonhos premonitórios são uma constante em suas noites de repouso.

Rápidos de raciocínio acabam muitas das vezes por se precipitarem, tomando decisões erradas, assumem muitos compromissos ao mesmo tempo, sendo que isso os faz estar sempre em ritmo acelerado no dia a dia para dar conta do recado.

Geralmente os regidos por Pantera Negra não possuem vícios, não apreciam bebida alcoólica ou fumo, pois já trazem dentro de si aquele cuidado especial pelo corpo físico.

Versátil e muito atencioso com os amigos, sincero ao extremo, ao ponto de muitas vezes até mesmo sem a intenção acabar por magoar aqueles que o cercam com suas opiniões das quais não abre mão.

São excelentes Pais de família, gostam da fartura em suas casas e mesas, cuidam com muito zelo de seus filhos.

O lado negativo nos médius do Caboclo Pantera Negra talvez seja mesmo a sua extrema sinceridade, pois gostam de dizer o que pensam, não gostam de lisonja e falsidade e por conta disso acabam ao longo da vida conquistando dissabores e também muitos admiradores.

Possuem o dom de conquistar a confiança daqueles que os cercam, pois são firmes no falar e de rápido raciocínio, inteligentes e muito talentosos em tudo que fazem.
Meu sincero e cordial Saravá à todos aqueles que cultuam o Sêo Pantera em suas casas e em seus corações, muita luz, paz e força!

            
  
Texto de autoria
da
Sociedade Ritualística de Umbanda Caboclo Pantera Negra

DIREITOS RESERVADOS À SOCIEDADE RITUALÍSTICA DE UMBANDA
CABOCLO PANTERA NEGRA
É permitido copiar e distribuir, desde que sempre seja citada a fonte.

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Saravá Poderoso Pantera Negra!

terça-feira, 21 de julho de 2015

Caboclo Pena Verde



Contou que vivia em uma aldeia tranquila, pois seu povo era de paz, porém com a chegada do homem branco as guerras entre tribos foram aumentando, ao invés de se unirem, possuia muitos filhos, entre eles Bartira , hoje Bartira da cachoeira, Jacira, Jureminha, e irmãos guerreiros, como Pena Preta entre outros, e então as lutas por domínios de poder foram inevitáveis, fazendo-o deixar sua aldeia e partir para a guerra.
Numa destas partidas ao voltar ferido na perna esquerda, deparou-se com quase toda sua aldeia destruída e muitos indios que fugiram ou foram capturados,mas o pior fora ver sua filha caçula morta ainda com uma lança nas mãos, pegou-a no colo e tentou compreender o que acontecia, mas no caminho, indo a uma cachoeira, havia um outro índio lhe espreitando, o qual deu-lhe uma flexada fatal, caindo ele com sua filha nos braços, e a cachoeira levando-os para uma piscina dágua embaixo de uma gruta de onde sumiram.
Isto foi contado pelo caboclo que em mim encorpora, Pena Verde da Mata. Não generalizo para todos, pois me foi passado pelas pessoas que o ouviram.
Com ou sem história, ele é um bravo guerreiro de Aruanda, amigo, justo, e protetor de seus filhos.
Okê Caboclo, salve Pena Verde!!!!
Pontos Cantados :
E o dia já findou,
E o sol no horizonte já se escondeu,
A lua la no ceu brilhou,
chegou o Indio, chegou o Indio,
Chegou o Indio Pena de arara,
ele é Indio da Pena Verde, ele è caboclo de cachoeira,
(deu o grito de guerra na ponta de um espinheiro,(Bis)
Já chegou o Pena Verde, que mora na beira do rio
É na maré, maré, é na maré, maré, é na maré azul do mar.
Ele é Indio, ele é Indio, caboclo da pena real.
Já chegou o Pena Verde que mora na beira do rio.


Gostou do Indio venha ver quem é,(bis)
ele é caboclo que só veste Pena
venham ver as forças que tem na jurema,`
É na Jurema, é na Jurema, é na Jurema venham ver quem é
Mas quem quiser que vá na sua aldeia para
Ver as foças que tem a Jurema…