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quarta-feira, 24 de junho de 2015

CHICO BAIANO

É DA BAHIA MEU PAI

Ele nasceu Francisco, mas cedo virou Chico.

Nascido em família pobre viviam modestamente no sertão baiano, seus pais lavradores, seus nove irmãos, um velho cachorro que outrora era de caça, mas há muito tempo nada mais havia para caçar.

Chico vivia em meia a seca e a miséria do sertão.

Era um menino esperto e querido por todos do povoado.

Não tinha estudo, mas era esperto que só.

Estava sempre pronto a ajudar do jeito que fosse.

Mas por vezes Chico sumia e ninguém conseguia achar o menino.

Voltava no outro dia e encontrava pai e mãe desesperados, não raro apanhava por isso.

Contava que se embrenhava no mato e acabara por encontrar vários indiozinhos, com os quais fizera sólida amizade.

A família jamais acreditava nele, pois todos sabiam que índio por ali não tinha há décadas.

Outras vezes o menino vinha falando numa língua estranha, e o povo achava que tava ficando demente Chico sumia com bastante freqüência, e alem dos amigos indiozinhos imaginários agora dizia conhecer velhos escravos.

E de fato aquelas terras já haviam sido prosperas e muitos escravos passaram por lá, mas isso também acabara com o tempo.

E assim o menino Chico ia crescendo, e cada vez mais preocupando a família.

Será que o menino tava ficando louco?

Um dia a avó de Chico ficou doente, então o pai do menino mesmo tendo enorme dificuldade o trouxe para morar com eles “onde comem dez comem onze”.

Foi então aconteceu um fato que marcaria profundamente o menino.

Numa noite de lua sua vó passava muito mal, então ele se meteu no mato e quando voltou trazia consigo varias ervas, que pediu a sua Mãe para transformá-las em chá.

Sua vó tomou a beberagem e sarou por completo.

Para alegria de toda a família.

Mas como é que um menino de 7 anos poderia conhecer tais ervas?

Em sua inocência Chico confessou que foram seus amigos índios que lhe ensinaram.

Dessa vez ninguém ousou bater nele.

E sua vó que até então nada sabia das histórias, chamou Chico do lado e segredou:

“_ meu filho isso que tu vê não é ser vivente, mas espíritos que te acompanham, segue eles meu neto, pois são de luz, e se estão com tu é porque é de seu merecimento”.

E assim fez.

Chico sempre no mato onde ninguém sabia e lá foi aprendendo coisas.

O tempo passando ele já adolescente, ajudando e dando conselhos a toda gente, era mal de quebranto, era verme, era mal de amor, tudo vinha parar no pé de Chico.

A notícia se espalhou e muitos vieram ter com Chico e para todos, ele tinha um conselho, uma reza, uma planta.

Ate que o coronel dono das terras soube da historia e nada gostou.

Resolve ter com o pai do menino, disse que em suas terras feiticeiro não vivia e acompanhado de capangas exigiu: ou o menino se mudava ou ele expulsaria a família toda.

Não tendo escolha mesmo a contra gosto da família o jovem se foi numa noite estrelada, tendo como testemunha e companhia dos amigos que só ele via.

E assim foi seguindo sertão adentro, ajudando a quem quer que fosse e recebendo comida e amor como paga.

Não viu a infância passar, também nada percebeu da adolescência, e virou adulto sem perceber.

Não tinha conta de quantas cidades conhecia, foram anos de peregrinação e saudade da família, mas sabia que pai, mãe, a avó, e alguns irmãos já estavam no plano espiritual, pois em sonho sempre que alguém dos seus ia falecer ele via um homem com roupa de palha e uma linda mulher vestida de vermelho trazendo pela mão o parente que se ia.

E Chico chorava sozinho e pedia a DEUS proteção para eles.

Agora Chico se estabelecera numa casa de pau a pique no meio do mato.

E muita gente do local acorria ate ele, e sempre que isso acontecia, ele via seus amigos espíritos, e muitas vezes, via que eles entravam em seu corpo e ele a tudo assistia, maravilhado e agradecido.

E assim a fama do já então pai Chico se espalhava pelo sertão afora.

Hoje à noite está linda como a muito ele não via, seus amigos do mundo espiritual mostram que ele terá visita.

E assim ocorre; não tarda a aparece por lá um velho e rico senhor acompanhado de seu neto que esta muito doente e que doutor nenhum consegue lhe ajudar.

Chico percebe que o menino esta acompanhado de espíritos maus.

Mas ele pede força a Deus e aos seus mentores, e com rezas, folhas, e certos apetrechos, consegue como por milagre curar o menino.

O velho fazendeiro chora emocionado e só agora Chico percebe que ele não lhe é estranho.

Sim!Trata-se do fazendeiro que expulsou o então menino Chico de suas terras.

O homem também descobre isso e de joelhos pede perdão.

Chico emocionado diz ao velho homem que todos na terra merecem perdão e que não seria ele soldado de Oxalá a negar.

De tão contente o fazendeiro implora a Chico que volte para a velha fazenda e assuma parte das terras da fazenda.

E assim foi feito, ao retornar ele transformou a casa dos falecidos pais em um terreiro de Umbanda que funcionou ate o dia em que ele foi passear na mata para não mais voltar.

Ninguém achou o corpo dele e a noticia se espalhou: Chico se encantara!

Dizem que muitas pessoas em noite de lua ouvem o seu canto e suas rezas alegres.

O tempo passa rápido e Chico agora mora em Aruanda, tem muitos filhos que lhe servem de aparelho.

Incorpora em todos com amor e carinho e procura continuar levando avante a bandeira da caridade.

Na giras de Baiano ele é sem duvida uma das entidades mais alegres e prestativas.

Tem especial predileção por uma moça filha de Oxum que ele sabe ser ótima médium e carregar linda baiana; e embora a moça tema a incorporação, tem missão e logo será também médium ao lado do pai que é cavalo de Chico Baiano.

E assim segue a Umbanda com seus espíritos de luz e sempre prestando a caridade.

SARAVA A BAIANADA

SALVE CHICO BAIANO!!!

Autor: Cássio Ribeiro

terça-feira, 2 de junho de 2015

BAIANA DO BALAIO



Nas giras eles se apresentam com forte traço regionalista, com sotaque característico.
Gostam de conversar e contar causos, mas também dão broncas.
São “do tipo que não levam desaforo pra casa”, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversam bastante, falam baixo e manso, são carinhosos e passam segurança ao consulente.
Entre os nomes mais populares de baianos estão:

Severino da Bahia, Zé do Coco, Zé da Lua, Simão do Bonfim, João do Coqueiro, Maria das Graças, Maria das Candeias, Sete Ponteiros, Mané Baiano, Zé do Berimbau, Maria do Alto Do Morro, Zé do Trilho Verde, Maria do Balaio, Maria Baiana, Maria dos Remédios e Zé do Prado.
Alguns dos baianos supostamente foram cangaceiros do bando de Lampião, associados no imaginário popular à luta contra as injustiças sociais.

Incluem, além do próprio Lampião, Corisco, Maria Bonita, Jacinto, Raimundo, Cabeleira, Zé do Sertão, Sinhô Pereira, Chumbinho e Sabino.
Têm sido associados aos baianos também os "malandros", inspirados no tipo tradicional do malandro carioca, possivelmente as entidades mais ambivalentes da Umbanda, visto aparecerem também como exus.

O mais conhecido é Zé Pelintra, ao qual se associam Zé Navalha, Sete-Facadas, Zé-da-Madrugada, Sete-Navalhadas, Zé da Lapa e Nego da Lapa, entre outros.

UMA LENDA DE CABOCLO BAIANO


Um conto diz que Lampião e Zé Pelintra, no além, estiveram a ponto de brigar por causa de Maria Bonita, que o segundo resolveu cortejar.
Lampião ameaçou mandar Zé Pelintra para o inferno.
Zé Pelintra zombou da ameaça, pois "entra e sai de lá a toda hora".
Lampião puxou a peixeira e chamou seu bando ou falange, quando apareceu Severino da Bahia, antigo babalorixá de Salvador, que conhecia os dois e tinha muita afeição por ambos.
Severino convenceu-os a baixar as armas e conversar.

Explicou a Zé Pelintra que Lampião lutou por melhores condições de vida, distribuição de terras, fim da fome e do coronelismo, mas cometeu muitos abusos.
Zé Pelintra, por sua vez, nascera no sertão de Alagoas, migrara para o Rio de Janeiro e driblara os problemas da vida, a fome, a miséria, as tristezas, com seu jeito esperto e foi transformado em herói depois da morte, embora também cometesse muitas violências.
Zé e Lampião descobriram que eram muito parecidos e igualmente valorizavam a justiça, a amizade e a lealdade.
Severino então convenceu-os a participar da Umbanda e trabalhar pelos pobres e excluídos.
Teria nascido então a Linha mais alegre, divertida e "humana" da Umbanda, que acolheria a qualquer um que quisesse lutar contra os abusos, a pobreza, a injustiça, as diferenças sociais e teria na amizade e no companheirismo sua marca registrada.

Uma linha de guerreiros, que um dia excederam-sese na força, mas que passavam a lutar com as armas da paz.
Dizem ainda que continua a queda de Zé Pelintra por Maria Bonita, mas ele a deixou de lado devido ao respeito pelo irmão Lampião e passou a namorar uma pombagira que conheceu na Umbanda.
É por isso que ele às vezes "baixa" disfarçado de exu.

sábado, 30 de maio de 2015

BAIANA MARIA OLINDINA DA LUZ

A baiana chegou da Bahia…
Rosalva caminhava com dificuldade equilibrando os baldes com água que trazia, um sobre a cabeça e mais um em cada mão. Essa era sua tarefa de todas as manhãs, seguia até a cacimba que ficava a cinco quilômetros de seu pequeno povoado, enchia os três baldes que serviriam para as tarefas diárias de sua família e voltava cantarolando pelos caminhos secos e arenosos do sertão nordestino. Normalmente ia e voltava com outras pessoas que faziam o mesmo percurso, mas hoje, tinha pressa, era dia de procissão na igreja de São João e ela não queria perder tempo, despediu-se dos acompanhantes e partiu com pressa. Na flor de seus dezesseis anos, sonhava encontrar alguém para casar e nada melhor que a quermesse da paróquia. Ia fazendo planos de namoro e casamento com alguém que encontraria logo mais a noite. De repente dois homens pularam em sua frente. Seu coração disparou. Eram cangaceiros. Conhecia as histórias que se contavam a respeito deles e sabia que teria de fugir imediatamente, jogou os baldes e precipitou-se em uma corrida desesperada. A perseguição foi difícil, a menina corria muito, mas os homens conseguiram enfim alcança-la. As lágrimas e pedidos de clemência foram inúteis. Rosalva foi impiedosamente deflorada por ambos. Jogada no chão tentando cobrir a nudez com os restos do vestido rasgado, encarou seus algozes que riam satisfeitos: – Vou com vocês! – falava sério, com o olhar vidrado de ódio – O que mais me resta depois do que me fizeram? Os homens entreolharam-se surpresos: – O que tá dizeno menina? – Quero seguir seu bando, não posso mais casar, estou perdida! Vou com vocês. Assim Rosalva entrou para a vida errante do cangaço. Durante vários anos fez parte do grupo que perambulava pelas cidades fazendo assaltos que garantiam a sobrevivência do grupo. Não aprovava as mortes espalhadas pelo bando e por isso nunca usara nenhuma arma, fazia apenas o “apanhamento” que era como eles chamavam o furto praticado depois de algumas chacinas. Foi em um desses ataques que tudo se precipitou. Um pequeno sitio foi invadido por eles e dois homens foram mortos. Rosalva recebeu a ordem de fazer o apanhamento, como de hábito. Ao entrar no quarto para exercer sua tarefa encontrou uma mulher, grávida, totalmente descontrolada que empunhava uma grande faca e partiu para cima dela. A lâmina provocou um corte profundo em seu braço fazendo com que gritasse de dor. Roxinho que estava em outro cômodo correu para lá a tempo de chutar a mão da mulher, o que fez com que a faca voasse por sobre a cama e a mulher em desequilíbrio fosse ao chão. O cangaceiro ao perceber a avançada gestação, entregou sua garrucha para Rosalva: – Mate a vagabunda, fiz promessa de não matar prenha! Ela olhou pra o companheiro espantada. – Não posso, nunca matei ninguém! – Sempre tem primeira vez, mate logo. Essa franga te cortou! Ela sabia que as ordens de Roxinho não deviam nunca ser desobedecidas. Empunhou a arma e apontou para a cabeça da mulher. Esta, acuada e pronta para a morte, olhou com ódio para ela: – Mate infeliz e leve para o inferno o pecado de ter matado dois! Rosalva, trêmula, engatilhou. Em uma fração de segundos levou o cano para a própria fronte e disparou. Acabava aí a história de uma mulher que nunca conseguiu ser feliz.
Hoje, nossa companheira de todas as horas traz na terra o nome de Maria Olindina, na linha dos baianos é só sorriso e alegria, deixou para trás a vivência sofrida em terras nordestinas para ser nossa mãe, amiga e confidente para todas as horas.
Sarava Dona Maria Olindina da Luz