sexta-feira, 25 de setembro de 2015

SIMPLES CHARUTO DE CABOCLO






Ligia segurava o charuto do caboclo que estava a cambonar enquanto a entidade em questão participava dos trabalhos em uma roda de descarrego.
Terminada a tarefa o caboclo dirigiu-se em direção a sua cambone e pediu o charuto de volta agradecendo-a por haver segurado o seu instrumento de trabalho, mas Ligia, não se contendo de sadia curiosidade, perguntou a entidade:
— Senhor caboclo?
— Pois não fia?
— O senhor poderia esclarecer-me uma dúvida?
— Pode fazer pergunta fia!
— O que eu gostaria de saber é o seguinte: por que o senhor sempre me agradece a cada vez que eu entrego o charuto que estou segurando de volta para as suas mãos?
— Suncê quer saber fia?
— Se for possível, gostaria sim.
— Fia, antes de caboclo responder, observe a atuação da nossa linha de trabalho nesta próxima roda de descarrego, sim?
— Sim senhor!
Após trabalhar com todas as pessoas que estavam naquela roda de descarrego a entidade estendeu sua destra a fim de que sua cambone segurasse o seu charuto enquanto ele e as demais entidades que participavam dos trabalhos na roda pudessem finalizar o trabalho.
Ao término daquela roda de descarga a entidade, então, tornou junto à Ligia dizendo:
— Entrega o pito de volta para Caboclo fia!
Ligia devolveu o charuto à entidade que, então, disse-lhe:
— Este caboclo agradece por toda sua atenção.
Ligia sorriu meio que ainda sem entender o porquê daquele agradecimento e o caboclo perguntou a ela:
— E então fia? O que suncê observou do nosso trabalho junto à roda de descarrego?
— Bem, eu observei algumas coisas, mas fica difícil de dizer algo, no aspecto geral, sobre o trabalho dos caboclos em uma roda de descarrego por que cada um trabalha de um jeito diferente em cada assistência.
— Isto até que é verdade, mas o que suncê observou de semelhante no trabalho de qualquer mano caboclo lá na roda?
— A fumaça do charuto! Nenhum dos senhores trabalha sem ela!
— Muito bem observado fia!
A entidade soltava umas baforadas do seu charuto enquanto fitava o semblante de Ligia e, após alguns instantes, perguntou a ela:
— Suncê ainda não entendeu porque que caboclo lhe agradece por segurar o pito dele, não é?
— Não senhor!
— Fia suncê tem o dom para isso e é por esse motivo que caboclo vai dilatar um pouco de sua percepção sensorial.
— Sim senhor!
A entidade estalava os dedos e soltavas algumas baforadas do seu charuto por toda a cabeça de Ligia. O processo durou poucos segundos e quando terminou a entidade solicitou a Ligia que abrisse os olhos.
— Nossa senhor caboclo!
— O que foi fia?
— É que eu fiquei com um pouco de tontura.
— Não se preocupe que já, já ela passa.
— Sim senhor, na verdade ela já está passando.
— Fia este caboclo vai participar de outra roda de descarrego e pede a suncê que continue a observar pra ver se descobre o porquê do nosso agradecimento, sim?
— Sim senhor.
Quando o caboclo terminou de realizar o seu trabalho com o charuto naquela roda ele, então, estendeu o braço para Ligia que, prontamente, segurou o charuto em suas mãos.
Minutos depois de terminada mais uma roda de descarrego a entidade pediu a Ligia:
— Entrega de volta o pito pra Caboclo fia!
Ligia assim o fez e ele novamente agradeceu-a para depois perguntar:
— E agora fia? O que suncê observou do nosso trabalho na roda?
— Nossa senhor caboclo! Parecia que eu estava ficando louca!
— Por que isso fia?
— Parecia que a fumaça do charuto dos senhores funcionava perispiritualmente para os assistidos na roda como se fosse uma espécie de chuveiro que tira todas as sujeiras do corpo físico.
A entidade sorriu com a comparação de Lígia e ela prosseguiu:
— É sério Sr. Caboclo! Quando a roda de descarrego terminou alguma coisa nelas parecia que estava muito mais limpo do que antes: algumas pessoas respiravam melhor, outras estavam como se tivessem retirado um peso do coração, enfim foi muito bonito de se ver.
— Fia antes de ir para a próxima roda de descarrego este caboclo pede que suncê segure o pito dele.
E, estendendo-lhe a destra, o caboclo entregou o charuto a sua cambone solicitando:
— Fia, agora feche os seus olhos e faça uma prece ao Criador pedindo bênçãos por todos aqueles que ainda passarão pelas rodas de descarga na gira de hoje!
— Sim senhor!
Ligia fez a prece com todo o fervor de sua mente e do seu coração e, então, abriu os olhos.
A entidade, assim, disse-lhe:
— Fia este caboclo agradece por suncê ter segurado o pito dele mais uma vez e pede que suncê observe o trabalho de nós em mais uma roda de descarga para ver se agora descobre o porquê dele agradecer a suncê por segurar o pito, tudo bem?
— Sim senhor!
Quando o caboclo terminou de realizar o seu trabalho com o charuto naquela roda ele, então, estendeu o braço e Ligia, prontamente, segurou em suas mãos o charuto da entidade.
O trabalho naquela roda foi finalizado e quando a entidade aproximou-se de Lígia esta estendeu-lhe as mãos na intenção de devolver o charuto para o caboclo, mas este lhe disse:
— Deixe o pito por mais um tempo em suas mãos que na hora certa este caboclo pede de volta a suncê, sim fia?
— Sim senhor!
— Este caboclo agradece por toda sua dedicação fia e pergunta: o que suncê observou nos trabalhos da última roda que caboclo acabou de participar?
— Senhor caboclo eu realmente observei algumas coisas, mas eu peço ao senhor que, se eu houver visto demais, que o senhor fale francamente comigo como sempre o fez.
— Nossa fia Ligia! Mas por que todo este alvoroço?
— Por que se na penúltima roda que o senhor participou eu percebi que a fumaça dos charutos funciona como a água de um chuveiro, nesta última roda parece que eu vi o que funciona como uma espécie de sabão ou sabonete.
A entidade deu um discreto sorriso para sua cambone e esta tornou a dizer-lhe:
— E então Senhor caboclo? Eu vi coisa onde não existia?
— De forma alguma fia! Suncê só viu o que havia para ver!
— Nossa, mas o senhor fala isto de uma maneira tão calma!
— E qual é o espanto nisto fia?
— Por que o desconhecido assusta um pouco e eu não sei nem um pouco do que eu vi.
— Fia, mas é como suncê mesma disse antes: o que tem de assustador em se tomar uma boa ducha?
— Ducha?
— É fia ou, como suncês encarnados mesmo dizem uma boa chuveirada!
— ?????
— Fia conte pra este caboclo o que foi que suncê viu!
— Bem, enquanto o senhor dava umas baforadas em uma pessoa da roda de descarrego milhares de minúsculos seres ficavam a rodear esta assistência em questão sempre na direção da cabeça para os pés. Estas espécies de seres giravam numa velocidade absurdamente alta e direcionada como se estivessem sendo controlados por alguém a distância. Eles apareciam e sumiam como que por encanto quando o senhor terminava o trabalho em uma pessoa participante da roda de descarga e passava para outra. Bom, foi isto que eu vi.
— A fia só está se esquecendo de um detalhe fundamental em tudo que observou da participação deste caboclo na última roda de descarrego!
— Verdade?
— Fia, fale uma coisa pra este caboclo!
— Sim senhor!
— Segundo a sua observação, participar desta última roda de descarrego foi mais fácil ou mais difícil do que a penúltima em que este caboclo participou?
— Ah, é verdade! Bom quem estava na dinâmica do trabalho lá na roda é o senhor, mas para mim que observava dava a nítida impressão que o senhor conseguia realizar o trabalho com muito mais facilidade, tendo em vista que na penúltima roda parecia que o senhor se concentrava muito mais para poder fazer o seu trabalho do que nesta última.
— Não foi impressão sua fia: para este caboclo, trabalhar nesta ultima roda, foi muito mais fácil que na penúltima e você fia teve uma grande parcela de responsabilidade para que caboclo obtivesse esta facilidade.
— Eu?
— Claro fia, não é suncê que é a cambone deste caboclo?
— Sou eu sim senhor, mas não sei dizer qual foi minha contribuição!
— Pense um pouco minha filha! Qual foi a grande diferença entre a penúltima e a última vez que suncê entregou o pito para este caboclo antes dele participar das rodas?
— Na ultima vez, diferentemente da penúltima, eu fiz uma prece ao Criador pedindo bênçãos para todas as assistências que participariam das rodas. Foi isto senhor caboclo? A prece que fiz a Deus?
— Fia toda prece a Tupã é sempre muito válida em nosso trabalho de fazer a caridade, mas suncê pode relembrar para este caboclo o que suncê possuía em mãos quando proferiu a referida prece?
— Meu Deus é verdade! Em minhas mãos estava o charuto do senhor!
— Exatamente fia! E então, suncê descobriu por que caboclo agradece suncê a cada vez que pede o pito dele?
— O senhor me desculpe, mas é que eu ainda não consegui chegar lá!
— Então este caboclo não vai mais fazer mistério fia: Caboclo agradece a suncê por que a cada vez que sunce entrega o pito de volta pra ele, acaba entregando junto boa parte de sua firmeza, de sua vibração, de sua energia.
— Eu???
— Não só suncê, mas cada cambone que trabalha junto a cada mano caboclo que milita em cada terreiro de Umbanda neste mundo de Tupã Nosso Pai.
— Isto é surpreendente!
— Antes da última roda que caboclo participou suncê fez prece sentida a Tupã e entregou o pito pra caboclo trabalhar cheio destas sutilíssimas e importantíssimas vibrações do desejo de caridade ao próximo.
— Sim, mas eu devo ser sincera e dizer que só fiz isto da última vez.
— Este caboclo sabe.
— Mas se das outras vezes que eu segurava o charuto do senhor eu não fazia prece alguma por que o senhor, mesmo assim, me agradecia?
— Independente de suncê fazer preces ou não, a cada vez que suncê entrega o pito para caboclo, suncê passa muito de sua energia para ele.
— Mas e se eu não estiver com energia boa no dia da gira? Eu vou acabar passando o pito para o senhor impregnado com minhas energias não muito positivas, mesmo assim o senhor me agradeceria?
— Já houve alguma gira que suncê entregou o pito pra Caboclo e ele não lhe agradeceu?
— Não senhor!
— Mas já houve giras em que suncê veio trabalhar com uma energia não muito boa, não é verdade?
— Isto é verdade, mas então por que o senhor sempre agradece?
— Fia, na verdade, o que caboclo agradece é a oportunidade de trabalho no bem que suncês dá pra nós. Umbanda é parceria fia!
— Desculpe, mas como é?
— Parceria fia: estar juntos por um objetivo em comum. Quando suncês cambones estão bem, então suncês fazem preces ou não as fazem, mas entregam o pito para nós com as energias boas que suncês estão naquele dia para nós trabalhar em favor do próximo, não é assim?
— É sim senhor!
— Já quando é suncês que não estão bem, daí somos nós que fazemos preces ao Criador, enquanto seguramos o nosso pito, rogando que suncês possam encontrar melhoras para as dificuldades de suncês e ajudar nós a trabalhar em nome da caridade cada vez mais e melhor e daí, somente após esta prece fervorosa, é que nós entregamos o pito de volta pra suncês segurar a fim de que, captando um pouco de nossa energia que deixamos no pito, suncês consigam encontrar um pouco de lenitivo que o merecimento de suncês lhes facultar.
— Meu Deus, mas isto é lindo!
Assim exclamou Ligia com a voz embargada de emoção pungente e sincera.
— Isto é Umbanda fia e Umbanda, como caboclo disse, é parceria: quando suncê não está bem e entrega o pito impregnado de energias não muito positivas para caboclo, ele então, quando pega este pito das suas mãos, agradece a suncê pela oportunidade que suncê está dando a ele de trabalhar junto a Tupã objetivando a sua melhora energética, vibracional.
— Nossa pelo que o senhor me diz a Umbanda é parceria mesmo, hein?
— Com certeza fia e é por isso que cada vez que um mano caboclo pede o pito de volta para seus cambone ele só tem a agradecer a este.
— Mas o ideal, quando o cambone não está bem, é fazer sempre preces, pedir auxílio a alguma entidade e ficar vigilante para sua vibração não cair e, assim, dificultar o trabalho das entidades, não é assim?
— Certamente não é fia!?! Mas este caboclo sabe que a filha põe em prática aqui no terreiro muito do que acabou de perguntar pra caboclo, não é verdade?
— Infelizmente não é sempre, mas graças a Deus acaba sendo a maioria das vezes, mas...
A voz de Lígia mal conseguia sair dos seus lábios tamanha era a emoção de estar aprendendo coisas tão básicas e importantes para o bom andamento de uma gira, mas de uma forma simples e prática. Mesmo percebendo a dificuldade de Lígia em falar, devido à emotividade, o caboclo incentivou-a dizendo:
— Pode falar fia.
E, fazendo um esforço grandioso para não embargar a sua voz com uma honesta emoção, foi que Lígia disse:
— Sabe o que eu acho mais lindo na Umbanda em relação a tudo isto que o senhor acabou de revelar para mim?
— A voz de suncê está embargada não é fia? Embargada de singela emoção por contemplar a prova do que disse Jesus sobre a simplicidade da misericórdia e benevolência das coisas de Deus materializada na religião de Umbanda pela presença de um simples charuto de caboclo, não é verdade fia?
As lágrimas de agradecimento por estar tendo aquela preciosa conversa com o caboclo deslizavam aos borbotões pela face de Ligia e esta emoção tão bonita e sincera a impedia de proferir qualquer resposta em relação à indagação feita pela entidade e ela, assim, só pôde respondê-lo positivamente acenando com a cabeça.
O caboclo então continuou a conversa dizendo:
— Caboclo agradece a Tupã pela parceria entre suncê e este caboclo e respeita cada lágrima de gratidão ao Criador que está deslizando pelo seu rosto, mas deve solicitar licença por um breve instante neste seu processo de agradecimento para pedir a suncê que devolva o pito deste caboclo para que ele possa participar de mais uma roda de descarrego em nome da caridade ao próximo.
As lágrimas continuavam a escorrer pelo rosto de Ligia e ela, assim, só pôde estender as mãos para devolver o charuto sem nada conseguir dizer a entidade.
A entidade pegou o charuto nas mãos, deu as costas para Ligia, andou um passo a frente e ficou parado de costas para sua cambone.
Talvez fosse para substituir um pouco daquelas lágrimas de alegria por um sorriso singelo feito da mesma emoção, talvez não, o fato foi que o caboclo novamente virou-se de frente para Ligia e disse:
— Pensou que caboclo houvesse se esquecido desta vez não é fia Ligia? Mas este caboclo não esquece nunca de agradecer a suncê por haver segurado por mais uma vez o pito dele. Que Tupã abençoe em dobro toda a atenção que suncê dispensa a este caboclo nesta nossa parceria e que seja abençoada também a parceria que Tupã tem com todos nós através da nossa sagrada e amada religião de Umbanda.
Ao que Lígia, já um tanto refeita em suas emoções, respondeu:
— Que assim seja!!!!!

Quimbanda com “Q” e Kimbanda com “K”

 
Hoje em dia se fala assim:
Quimbanda com “Q” e Kimbanda com “K”.
A palavra Kimbanda vem da língua Kimbundu, é uma língua falada em Angola.
Em Angola havia a figura do Kimbanda, o Xamã Angolano, esse Kimbanda se escreve com “K”.
A Kimbanda angolana é considerada Xamanismo. Trabalha com Tatás, Yaias, divindades, espíritos, fórmulas mágicas, rezas. Essa prática Xamanica angolana é chamada de “Umbanda”.
A palavra Umbanda também existe em Angola e define a prática religiosa do Kimbanda, mas é  diferente de nossa Umbanda brasileira. Em Angola não existe culto aos Orixás.
O Kimbanda angolano não sofreu influencia do Cristianismo e nem do Espiritismo, portanto é uma prática totalmente diferente de nossa Umbanda brasileira.
É diferente ainda, a prática do Kimbanda, do Candomblé de Angola que é outra forma/estrutura, religiosa.
No Brasil surgiu a Quimbanda, com Q, a fim de designar os trabalhos de Esquerda da Umbanda.
Hoje em dia a língua oficial em Angola é o Português, poucas pessoas falam o Kimbundu. É importante ressaltar a questão da palavra para dizer:
 “A origem da religião de Umbanda não está no mesmo lugar da origem da palavra Umbanda”.
Os Terreiros de Quimbanda são assim denominados por trabalharem, exclusivamente, com a linha de Esquerda da Umbanda ( Exus – Pomba Giras), nem por isso significa dizer que trabalhem para o mal.
Existem, porém, outros terreiros, casas, onde se pratica a magia negra e esse trabalho é também chamado de Quimbandeiro.
O primeiro Umbandista a comparar Exus com demônios e os colocar como servos do mal ou algo muito parecido com a magia negra Européia, os demônios fazem parte da magia negra Européia, foi Aluízio Fontenelle.
Em seu livro “Exu” publicado em 1951, ele traz a magia negra Européia, a compara com Exu e Pomba Gira, faz um sincretismo de demônios com Exus e aí surge a estrutura da Quimbanda que trabalha com magia negra e Exu ao mesmo tempo, dando nomes de Exus aos demônios, usando símbolos e signos da magia negra Européia surgindo assim a Quimbanda Brasileira com estrutura de magia negra Européia.
Não se pode confundir essa com outra Quimbanda ainda, também com “Q” que é a Esquerda da Umbanda.
A essas alturas podemos entender a razão pela qual o termo Kimbanda e Quimbanda geram tanta confusão e mal entendidos porque temos:
Kimbanda = Xamanismo Africano que pratica o bem.
Quimbanda = Esquerda da Umbanda.
Quimbanda = Terreiros que trabalham apenas com a Esquerda.
E há quem pratique magia negativa ou magia negra usando os nomes das entidades da Esquerda, de Exu, de Pomba Gira, classificando isso como um trabalho de Quimbanda.
Assim como é muito difícil definir um bom trabalho de Umbanda, tentar definir a Quimbanda é tão ou mais difícil. A separação do joio do trigo é uma tarefa bastante árdua.
Quem é o Caboclo Quimbandeiro?
É um Caboclo de Esquerda?
Preto Velho Quimbandeiro, é um Preto Velho de Esquerda?
Caboclo Quimbandeiro é um Caboclo que trabalha junto com a Esquerda, é um Caboclo que tem especialidade em cortar demanda.
Existem linhas de Caboclos que são consideradas Linhas clássicas enquanto Caboclo Quimbandeiro como Caboclo Pantera Negra, em Terra, geralmente vem voltado só pra quebrar demanda, desmanchar trabalho de magia negativa, não é comum ver um Caboclo Pantera Negra dando consulta.
Temos Caboclos que são Caboclos demandadores, que muitas vezes passam a ser tidos como Caboclos Quimbandeiros e temos também os Caboclos Africanos, principalmente, a Linha de Arranca:  Arranca Mata, Arranca Mar. Os Caboclos que trazem esse nome “Arranca” são todos eles muito demandadores e considerados um pouco Quimbandeiros como o próprio Caboclo Cobra Coral, Caboclo da Pedra Preta, como o Caboclo Arranca Toco, Caboclo Ventania, Caboclo Ubirajara Peito de Aço, Caboclos Quimbandeiros no sentido da palavra: de demandadores.
 Preto Velho Quimbandeiro são aqueles Pretos Velhos que vem nessa força, de trabalhar junto com a Esquerda e de trabalhar quebrando demanda, o Preto Velho Quimbandeiro mais conhecido ou aquele Preto Velho que é considerado o mais demandador, o mais cortador de demanda porque é, não que isso faça dele mais ou menos do que os outros Pretos Velhos, mas porque é uma especialidade, é o “Preto Velho Rei do Congo”.
O Rei do Congo está para os Pretos Velhos Quimbandeiros, assim como Pantera Negra está para os Caboclos Quimbandeiros.
 Ou Preto Velho “Pai Cipriano” que faz lembrar aquelas questões relativas ao “Livro de São Cipriano”.
 O livro de São Cipriano é considerado um livro de magia negra, mas no livro de São Cipriano a primeira coisa que você lê é a história de São Cipriano e a história de São Cipriano é linda, é uma história que conta que antes ele praticava magia negra, o Cipriano, mas em algum momento ele tentou pela magia negra converter uma Cristã e convencê-la por meio da magia a se casar com alguém, é aquilo que hoje se chama trabalho de amarração.
Talvez, na Quimbanda, se trabalhe com alguns Exus que apareciam muito na Umbanda do passado e que hoje não aparecem muito nos Terreiros de Umbanda como: Exu Gargalhada, Exu do Pó, Exu do Ouro, que são Exus que militam na religião de Umbanda, mas que há trabalhos voltados especificamente para a Esquerda, um trabalho voltado só para a Esquerda pode ser considerado, sim, um trabalho de Quimbanda com “Q”, desde que, não se confunda com magia negra.
Isto é a Kimbanda Africana, a Quimbanda da Umbanda e a Quimbanda sincretizada com a magia negra Europeia.
Logo podemos considerar que há algo da Quimbanda que faz parte da Umbanda, mas Umbanda não é Quimbanda, não se resume em Quimbanda. Mas, temos sim, a nossa Esquerda como trabalhadores que podem ser chamados e considerados: Exu e Pomba Gira trabalhadores de Quimbanda, no bom e nobre sentido da palavra.
Annapon
19.11.2014
(texto baseado em aula do Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Alexandre Cumino)

Caboclo Pantera Negra

Muito do que se ensina na internet através de blogs e sites não condiz com
a  realidade dos fatos... é uma pena...

Muitos tem tentado em vão ensinar sobre o Caboclo Pantera Negra e até alguns novos médiuns tem se destacado no universo Umbandista e Quimbandeiro divulgando sua manifestação em seus centros.

Os mais antigos Umbandistas da década de 70, tiveram o privilégio de conhecer esta poderosa entidade já em seus primeiros anos de manifestações e trabalhos de caridade na Gloriosa Umbanda.

Hoje em dia seus antigos médiuns já não se encontram conosco, e são poucos dos médiuns atuais que realmente trabalham com essa poderosa entidade de forma correta e sem mistificações.

Só o nome já chama a atenção, causa uma certa curiosidade nos mais aficcionados pela Umbanda ou Quimbanda em conhecer esta entidade e saber mais um pouco, muitos tem mistificado usando o nome deste poderoso Caboclo Quimbandeiro para se destacar, ou se promover no meio Umbandista e até se impor como sendo de maior axé dentro dos cultos.
Mas na verdade o Sr. Pantera Negra, ou para os mais íntimos, Sêo Pantera, escolhe a dedo seus médiuns, sendo muito rara sua manifestação através da incorporação.

Uma das particularidades deste poderoso Caboclo Quimbandeiro ( não usarei o termo Exú, mesmo girando na Quimbanda ele continua a ser um Caboclo ) é a sua capacidade de manifestar-se à qualquer hora do dia ou da noite, sendo por isso muito solicitado em casos de difícil solução, pois detém o poder de resolver até mesmo coisas que julgamos impossíveis.
Quando manifestado através da incorporação, fala com tremenda autoridade, firme ao falar, cumpre o que diz e jamais deixa um filho-de-fé sem uma solução para seus problemas.
Na Quimbanda por questões evolutivas não aceita sacrifícios de animais em suas obrigações e assentamentos, jamais se manifesta imitando o animal Pantera ou qualquer outro felino.

O Caboclo Pantera Negra é um dos espíritos oriundo da Tribo Hopi dos EUA, ostenta o nome de Pantera Negra por conta de sua coragem e determinação, força e espírito guerreiro, qualidade que só os Caboclos Quimbandeiros  possuem, alguns estudiosos afirmam que ele seja de origem Tupi, coisa realmente impossível, pois a Linha dos Caboclos Quimbandeiros tem em suas fileiras apenas espíritos pertencentes à tribos indígenas da América do Norte.

Na Quimbanda ele é responsável pela chefia da segunda e mais temida Linha de Quimbanda, a Linha dos Caboclos Quimbandeiros, ele possui atributos diferentes dos demais Caboclos, sendo muitas vezes solicitado para trabalhos de Magia Negra e demandas espirituais, tanto ele como seus subordinados, os Caboclos Quimbandeiros.
Devido à sua personalidade forte possui poderes para vencer com extrema facilidade demandas espirituais e materiais, sendo muitas vezes solicitado para os terríveis trabalhos de Alta Magia, possui o poder de curar até mesmo doenças que a medicina tradicional considera incuráveis.

Muitos filhos e filhas de fé em má situação financeira recorrem à ele em busca de auxílio para seus problemas materiais, já que possui também poder de enriquecer aos que solicitam ajuda, bem como pode a qualquer momento solucionar os casos mais difíceis e aparentemente impossíveis.
Com o objetivo de esclarecer melhor os Filhos e Filhas-de-fé, as sete linhas de Quimbanda são únicas, não existem linhas paralelas ou diferentes das sete linhas tradicionais, que são fixas e imutáveis, despreze o Quimbandeiro que teima em admitir linhas diferentes das originais.
Segue abaixo a lista das sete linhas tradicionais e seus respectivos Chefes, entre eles, o Poderoso Pantera Negra:

1ª Linha - Linha de Malei -
Chefe - Exu Rei
                  
2ª Linha - Linha dos Caboclos Quimbandeiros -
Chefe -  Pantera Negra

3ª Linha - Linha do Cemitério ou das Caveiras -
Chefe - Exu Caveira

4ª Linha - Linha Nagô -
Chefe - Gererê o Rei de Ganga

5ª Linha - Linha de Mossurubi -
Chefe - Exú Kaminaloá

6ª Linha - Linha Mista -
Chefe - Exú das Campinas

7ª Linha - Linha das Almas -
Chefe - Exú Omulu ( não confundir com Orixá Omulú )


O Caboclo Pantera Negra possui estreita relação com o Orixá Ogum, devido a sua personalidade e atributos guerreiros e está diretamente relacionado com o Caboclo Ogum Rompe Mato na Umbanda.

A Linha dos Caboclos Quimbandeiros é composta de espíritos indígenas de várias tribos da América do Norte: Sherokees, Apaches, Sioux, etc...


Os componentes da Linha dos Caboclos Quimbandeiros são:


Exú Arranca Toco
Exu Sete Poeira
Exú Pimenta
Exú Asa Negra
Exú Gira Mundo
Exú Pantera Vermelha
Exú Pedra Negra
Exú das Matas
Exú Tronqueira
Exú dos Rios
Exú Quebra Galho
Exú Treme Terra
Pombagira Guerreira

Nota importante sobre Pombagira:
Há apenas uma Pombagira em toda a Linha dos Caboclos Quimbandeiros, seu nome é PombaGira Guerreira, mas de uns tempos para cá surgiu a Pombagira Pantera Negra ou Guardiã da Pantera, mas nada tem a ver com os Caboclos Quimbandeiros.


Nos terreiros que cultuam a Umbanda ele é saudado no início de cada sessão de trabalhos e ao final dos trabalhos também, muito temido e respeitado ele sempre é solicitado para proteger e limpar o recinto levando as cargas negativas embora.
Ainda em algumas casas tradicionais se ouve o cântico ao início ou fim dos trabalhos, sempre cercado de enorme reverência e temor:


" Procure por todas bandas...
Por todas vais encontrar...
Seu nome é Pantera negra...
Vai chegar pra trabalhar."
" Já bateu a meia noite...
Vou fazer minha oração...
Vai chegar Pantera Negra...
Com toda sua legião."



Quando manifesto em uma sessão de Umbanda trabalha da mesma forma que nas giras de Quimbanda, sempre firme, ouve as súplicas de seus filhos-de-fé e sempre esta disposto para assumir o caso e dar uma solução o mais rápida possível.
Seu curiador ( bebida ) seja na Umbanda ou Quimbanda é sempre o vinho tinto, bebe marafo ( cachaça ) apenas quando está em trabalhos de demanda ou em casos extremos onde é necessário manipular energias mais pesadas em prol do progresso de seus filhos-de-fé.

Suas cores votivas são o verde e o vermelho, as mesmas cores consagradas a Ogum na Umbanda do Rio Grande do Sul, preto e vermelho podem ser acrescentadas quando é cultuado na Quimbanda.

Alguns videntes tem pregado que sua manifestação através da visão mediúnica é de uma Pantera Negra ou algum tipo de ser meio homem meio felino, um tremendo erro que deve ser desmistificado.
Bem como nos primórdios da Umbanda e da Quimbanda haviam médiuns que supostamente incorporavam o Sêo Pantera Negra e comportavam-se como animais ferozes e selvagens, muitas das vezes precisavam ser amarrados quando manifestos, um tipo de manifestação medíocre e infeliz, que serviu por anos como meio de impor o medo nas pessoas e o temor em cultuar esse poderoso Caboclo, que em momento algum imita algum felino em sua manifestação na terra.

Portanto desconsidere qualquer manifestação baseada em urros animais ou similares afirmando se tratar de um Pantera Negra, jamais este poderoso Caboclo Quimbandeiro vai se apresentar como animal seja onde for. Sua manifestação é simples e traz sempre consigo muita paz e força espiritual sem ser agressivo para impressionar os filhos de fé.
Sua manifestação através da vidência quando se apresenta é de um típico Índio Americano, devidamente paramentado para a guerra, sempre ereto e de olhar firme envolto em uma luz vermelha sem brilho.
Seus médiuns de incorporação são sempre do sexo masculino, são raros os casos de médiuns do sexo feminino, ele também jamais admite mentiras ou mistificações em seus trabalhos, além disso não usa cocares de penas em sessões de Umbanda nem paramento algum quando se manifesta para prestar a caridade, na Quimbanda quando manifesto jamais usa chapéus na cabeça, gosta sempre de olhar nos olhos de seus filhos e filhas-de-fé, sempre trabalha de pés descalços, encara com firmeza seus consulentes, mas pode sim usar capa como forma de mostrar seu caráter Quimbandeiro e como indumentária do culto.



Assentamento e firmeza:
Seu assentamento ou o assentamento de dos componentes da Linha dos Caboclos Quimbandeiros é feito com muito mironga e com fundamentos bem diferentes do que costumamos ver em várias casas que cultuam a Quimbanda.
Impossível é através de um site ensinar abertamente como ele é firmado e assentado, seus devotos ou filhos-de-fé devem procurar este conhecimento através de nossa Sociedade Ritualística de Umbanda, onde vão receber em detalhes toda orientação possível.
Lembrando que seu assentamento e firmeza não depende de sacrifícios animais, mesmo se tratando de uma firmeza dedicada apenas à Quimbanda, e em nada se assemelha à assentamentos de Exús. 



ARQUÉTIPO DOS REGIDOS POR PANTERA NEGRA:
Pessoas regidas pelo Caboclo Pantera Negra geralmente são muito joviais ( mesmo se tratando de pessoas já em idade avançada ), de raciocíno rápido, perspicazes, espertas, vorazes e muito proativas, possuem um magnetismo difícil de explicar, que atrai e fascina a todos.

Carismáticos, emotivos, se magoam com muita facilidade, são os melhores e mais fiéis amigos que uma pessoa pode ter, mas também podem se tornar o pior inimigo quando contrariadas ou traídas.

Românticos mas muitas vezes imaturos e teimosos, odeiam sentir-se presos, sendo que aqueles que vierem a tornar-se seu par devem desde os primeiros passos no relacionamento dar a eles total liberdade ou terão vários dissabores, pois a ânsia por liberdade é constante e essencial para eles, não significando promiscuidade, pois é algo que abominam.

Generosos ao extremo, mas também exigentes, adoram ser úteis, e com absoluta certeza retribuem sem pena tudo aquilo que a eles for feito, seja o bem ou o mal, pois apesar de muito humanos e bondosos na dose certa não perdoam uma ofensa.

Amam a natureza e os animais, ótimos médiuns, possuem o dom da clarividência e os sonhos premonitórios são uma constante em suas noites de repouso.

Rápidos de raciocínio acabam muitas das vezes por se precipitarem, tomando decisões erradas, assumem muitos compromissos ao mesmo tempo, sendo que isso os faz estar sempre em ritmo acelerado no dia a dia para dar conta do recado.

Geralmente os regidos por Pantera Negra não possuem vícios, não apreciam bebida alcoólica ou fumo, pois já trazem dentro de si aquele cuidado especial pelo corpo físico.

Versátil e muito atencioso com os amigos, sincero ao extremo, ao ponto de muitas vezes até mesmo sem a intenção acabar por magoar aqueles que o cercam com suas opiniões das quais não abre mão.

São excelentes Pais de família, gostam da fartura em suas casas e mesas, cuidam com muito zelo de seus filhos.

O lado negativo nos médius do Caboclo Pantera Negra talvez seja mesmo a sua extrema sinceridade, pois gostam de dizer o que pensam, não gostam de lisonja e falsidade e por conta disso acabam ao longo da vida conquistando dissabores e também muitos admiradores.

Possuem o dom de conquistar a confiança daqueles que os cercam, pois são firmes no falar e de rápido raciocínio, inteligentes e muito talentosos em tudo que fazem.
Meu sincero e cordial Saravá à todos aqueles que cultuam o Sêo Pantera em suas casas e em seus corações, muita luz, paz e força!

            
  
Texto de autoria
da
Sociedade Ritualística de Umbanda Caboclo Pantera Negra

DIREITOS RESERVADOS À SOCIEDADE RITUALÍSTICA DE UMBANDA
CABOCLO PANTERA NEGRA
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Saravá Poderoso Pantera Negra!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

OS GUIAS ESPIRITUAIS PRECISAM DE OFERENDAS?

Quem precisa da oferenda somos nós.
Essa afirmação pode surpreender alguns, mas a verdade é que todos os ingredientes usados em uma oferenda liberam seu axé ( princípio ativo eterizado ) para nos ajudar. O falangeiro que recebe a oferenda ( a sua contraparte etérica ) não precisa dela em proveito próprio, mas a usa juntamente com outros fluídos e o ectoplasma, em benefício dos médiuns e consulentes. 
A dependência de oferendas que condicionam a valência mediúnica às mesmas, atrai certa categoria de espíritos que podem sim, "alimentar-se" destas, interferindo na sintonia com os genuínos Guias Espirituais de Umbanda e até mudarem a faixa vibratória, "apossando-se" definitivamente do tônus vital do medianeiro e de seu Ori, que "viciado" se enfraquecerá se não oferecer seguidamente os elementos materiais.
Foto de Pérolas de Ramatís.

A DESVITALIZAÇÃO DO MÉDIUM PELO MAL USO DA PALAVRA

- Nem tudo é obsessor ou demanda
Ser fiel é imprescindível, particularmente nas sociedades de tradição oral, onde ela é indispensável à sobrevivência do indivíduo, do grupo e da história.
Um velho adágio diz: Pelo fruto se conhece a árvore e pela palavra se conhece o homem.
A palavra falada movimenta energias e tem poder de criação, conservação ou destruição, também detém o poder de criar a paz ou destruí-la. Aquele que procura desenvolver sua consciência moral liga a palavra falada com a verdade. Verdade remete-nos à fidelidade e à confiabilidade. Tornam-se confiáveis as pessoas cujas demonstrações de responsabilidade social ou espiritual não deixam margens a dúvidas e incertezas. A verdade associa-se à sinceridade que, por sua vez, relaciona-se à honestidade.
Há pessoas de palavras saudáveis e há outras pessoas de palavra adoecida. Todo e qualquer uso depreciativo da fala e dos atos, refere-se a esse adoecimento. Na ausência ou afastamento da verdade, ocorre o que poderíamos chamar de “lepra da palavra”: mentira, tagarelice, fofoca, maledicência, calúnia, escárnio, xingamento e maldição, entre outras. 
A mentira é uma das mais frequentes manifestações da falta de apreço da palavra. Um mentiroso, ao perder o crédito dos demais, perde também o respeito que lhe devotavam. Por isso se diz que a mentira mais promove morte social por perda de credibilidade e da confiabilidade. Seu efeito nocivo vai além disso: mata também fisicamente, por acarretar perda de vitalidade, pois, ao promover o distanciamento entre a pessoa e seu próprio ori, a mentira dificulta ou mesmo impede o fluxo do axé que, advindo da divindade pessoal – Ori – vitaliza o corpo físico e espiritual.
Um tipo especial de mentiroso é o homem que não cumpre o que promete e, assim, não assume compromisso com a palavra que profere. Podemos chamá-lo vulgarmente de “boca frouxa”, pois sua palavra não é firme e confiável. Neste grupo de pessoas inclui-se aquele que, de má fé, mente deliberadamente, prometendo vantagens que, de antemão, sabe ser incapaz de oferecer. Inclui-se, também, aquele outro que não age de má fé: é uma pessoa que não reconhece a si mesma como mentirosa, pois, ao enunciar determinado propósito, talvez esteja pessoalmente convencida de que o cumprirá; talvez tenha dificuldade de avaliar os próprios limites e possibilidades e, por isso, proponha-se a realizar tarefas que de fato não realizará nunca.
Essa fraqueza da palavra, aparentemente sem maiores consequências, é de fato desastrosa. Não apenas para a própria pessoa, por sua perda de confiabilidade, mas, também, pelos efeitos sociais desse comportamento, pois a sobrevivência do coletivo (concretização das tarefas), também depende do compromisso de cada qual para com a própria palavra. Por isso, o ditado: Não prometa nada sem a certeza de poder cumprir.
A tagarelice, outra lepra da palavra, caracteriza-se pelo falar excessivamente: o homem falante e verborrágico não exerce crítica sobre o que verbaliza: fala de tudo e de todos, conta seus planos a quem quer que se apresente diante dele. A tagarelice, em suas múltiplas formas, associa-se a difamação, à bisbilhotice e à maledicência, entre outras. Denota irresponsabilidade e falta de compromisso para com a vida, pois o bom uso da palavra demanda consciência a respeito de sua natureza e função. A fala deve ser funcional, ou seja, deve haver uma finalidade clara para o que está sendo enunciado e quando alguém tem um problema ou necessidade deve comunicá-los exclusivamente a quem possa aconselhar ou ajudar. 
O homem verborrágico ou “boca aberta” é aquele que não reflete antes de falar, ignora se o seu interlocutor está interessado no que diz, não observa se “sua vítima” tem condições de sobreviver a seu bombardeio de palavras. Falam de tudo a todos e a qualquer um de modo indiscriminado e acrítico. Saem por aí contando seus planos mais íntimos e os planos alheios ao primeiro que encontram
A verdade é um compromisso que se tem para com o Ori e para com os demais orixás. Cada vez que uma pessoa utiliza a palavra de modo adequado, o seu ori se fortalece e ocorre um avanço em sua existência: a palavra correta fortalece o homem e lhe possibilita prosperar.
Fonte: EXU E A ORDEM DO UNIVERSO
Cap. Valores e Virtudes: o código ético-moral iorubá.
Editora Oduduwa.
Texto originalmente publicado em CAMINHOS DE ARUANDA
https://www.facebook.com/Nos-Caminhos-de-Aruanda-3207553…/…/
Foto de Pérolas de Ramatís.

O ENFEITIÇAMENTO VERBAL A DIFERENÇA ENTRE MALDIZER E ABENÇOAR

O enfeitiçamento pode efetivar-se pela força do pensamento, das palavras ou objetos imantados, que produzem danos a outras criaturas. O enfeitiçamento verbal resulta de palavras de crítica antifraterna, maledicência, calúnia, intriga e maldições. Seu autor é responsável perante a Lei do Carma e fica sujeito ao “choque de retorno” de sua bruxaria verbal, segundo a extensão do prejuízo que venha a resultar das palavras ou gestos desfavoráveis ao próximo.
Quando a criatura fala mal de alguém, essa vibração mental atrai e ativa igual cota dessa energia das demais pessoas que a escutam, aumentando seu feitiço verbal com nova carga malévola. Assim, cresce a responsabilidade do maledicente pelo caráter ofensivo de suas palavras, à medida que elas vão sendo divulgadas e apreciadas por outras mentes, atingindo então a vítima com um impacto mais vigoroso do que o de sua força original.
Evidentemente, a pessoa que fala mal de outrem só por leviandade, há de ser menos culpada espiritualmente de quem o faz por inveja, ódio ou vingança. No primeiro caso, as palavras não possuem a força molesta própria de uma deliberação malévola consciente. Porém, quem se concentra na ação deliberada de prejudicar alguém, elabora seu próprio infortúnio.
Quando o ser humano pensa, projeta em todas as direções energias benfeitoras ou malévolas, criadoras ou destrutivas, segundo a natureza de seus pensamentos e sentimentos. A palavra é, portanto, a manifestação sonora do sentimento ou pensamento gerado no plano oculto do ser. É tão sutil e influente a palavra, que certas pessoas, devido a um sentido oculto, chegam a pressentir quando alguém fala mal delas e ficam alertas contra algum perigo iminente.
Também existe profunda diferença entre o ato de maldizer e abençoar. Quando abençoamos, mobilizamos energia na forma de um combustível superior, para expressar a idéia e o sentimento sublimes de nosso espírito naquele momento. Durante o ato de abençoar, o homem revela na sua configuração humana a magnitude, mansuetude e o recolhimento do espírito preocupado em invocar forças superiores e benfeitoras em favor de alguém.
O brilho dos olhos, o gesto das mãos, a expressão do rosto e a quietude do corpo formam um conjunto de aspecto atraente, a combinar-se mansamente com o fluido amoroso que sempre acompanha a palavra benfeitora. Há indizível encanto e respeito no gesto da mãe que abençoa o filho, quando ela mobiliza sua força materna e invoca a condição divina de médium da vida, a fim de rogar ao Criador a proteção amorosa para seu filho. A bênção adoça a alma de quem a recebe e beneficia a quem a dá.
A expressão “Deus te abençoe” é vigoroso mantra que dinamiza na criatura a esperança e o júbilo espiritual. Com o magnetismo energético e hipnótico das palavras, podemos despertar energias e promover transformações miraculosas.
Por outro lado, o praguejador crispa as mãos e os olhos fuzilam despedindo faíscas de ódio; dilatam-se as narinas sob o arfar violento do amor-próprio ferido, ou entorce-se o canto dos lábios sobre os dentes cerrados. A fisionomia fica congesta e retesada, delineando o fácies animal na sua fúria destruidora. A maldição consciente é força tão diabólica, que arrasa a vítima indefesa e massacra seu próprio autor imprudente.
No entanto, a praga ou maldição proferida pela pessoa temperamental e sem controle emotivo, é impulso mais inofensivo do que a carga enfeitiçante e destruidora que se forja lenta e calculadamente no quimismo do laboratório consciente mental. E o povo então considera inofensiva a praga que sai “da boca para fora”, mas arrepia-se quando ela parte do coração.
- do livro MAGIA DE REDENÇÃO
livrariadotriangulo.com
Foto de Pérolas de Ramatís.

O TRABALHO DOS VELHOS XAMÃS, PAJÉS E "KIMBANDEIROS" - FEITICEIROS DE CURA.

Os Elementais ou Energias Elementais - às vezes chamados de Elementais da Natureza - são energias primárias que sustentam toda a natureza. Não possuem forma nem, obviamente, individuação; apresentam-se em quatro modalidades ou faixas vibratórias, cada uma sintonizada com um dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar, que por sua vez se ligam aos Orixás. O corpo físico do homem, à semelhança da terra, do ar, do fogo e da água, é instrumento participe da natureza criada. Essas formas energéticas, Elementais da Natureza, encontram-se também em nós por um mecanismo de semelhança. Muitas vezes, o homem desequilibrado dessas energias em suas polaridades vê-se diante de inusitadas situações, no mais das vezes adoecendo seriamente. Os velhos xamãs afro-ameríndios de antigamente manipulavam com destreza essas energias primárias ligadas à natureza, propiciando a cura junto aos locais vibratórios adequados, quais sejam as cachoeiras, matas, praias ou pedreiras, manipulando as folhas e outros elementos, sabendo com acuidade dinamizar o duplo etéreo dos mesmos. Com a movimentação dos Elementais associados às palavras de encantamentos pronunciadas, junto a esses recantos, conseguiam o reequilíbrio necessário, polarizando as cargas magnéticas despolarizadas das enfermidades, alcançando a cura.
- do livro SAMADHI.
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COMENTÁRIO:
O homem moderno quanto mais se distancia da natureza, mais adoece e mais medicamento sintético consome (os que tem acesso aos remédios, que estão caríssimos). As religiões naturistas, como a Umbanda, mantém ainda vivo o conhecimento milenar dos velhos pajés e kimbandeiros - feiticeiros curadores -, ameríndios e africanos, sendo um importante pólo preventivo e terapêutico, contribuindo decisivamente para o equilíbrio da saúde do organismo social, haja visto a total falência da saúde pública oferecida à população, notadamente a mais carente.
Foto de Pérolas de Ramatís.
Foto de Pérolas de Ramatís.
Foto de Pérolas de Ramatís.